"Quando sua realidade particular é desafiada, ela cede à verdade."

What if I say I'm not like the others?
What if I say Im not just another one of your plays?
What if I say I will never surrender?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Destino Ideal.

Eu simplesmente não me interesso pelo que você diz...
não porque você não tem nada para dizer ou porque eu não dou a mínima.
Não é isso...
Eu realmente me importo, eu realmente quero saber o que é.
Quero tanto que não me interesso pelo que você diz...
Porque você pode mentir.
Não estou dizendo que vai, mas existe uma grande possibilidade.
Não estou te chamando de mentiroso. Não que você não seja um.
Mas não quero dizer que você não ache que é verdade.
Ao menos não quando diz, entende?
O que estou querendo dizer é que, no momento em que você diz
que vai ou que não vai fazer algo,
você tem plena consciência de que você vai cumprir o que diz.
Mas isso não quer dizer nada.

Isso só vai ter validade quando você for posto contra a parede com um cigarro na boca e uma faixa nos olhos, ouvindo o estalido dos rifles e o "preparar, apontar...".
É nessa hora que as coisas se mostram.
É nessa hora que você entrega até a sua mãe, seu pai, seus irmãos...
é nessa hora que o que diz ganha forma, ou foge em desespero.
É nessa hora que aquilo que você disse se divide. Em um mundo verdade, no outro, uma mentira superficial dentre outras tantas.
O que eu quero dizer é que eu não dou a mínima para o que você diz.
Eu ligo para o que você faz.
Não me interessa se você diz que nunca vai fazer algo, pois quando a chance aparece é que o pecador se mostra.

Você pode dizer e me mostrar todos os seus ideais limpos e enfileirados em prateleiras,
mas eles não são realmente seus se você não os põe à prova e não os defende.
Eles não passam de palavras anexadas a sentimentos e pensamentos sem sentido quando
não são postos em meio ao fogo e em frente à tentação.
É nessa hora que se definem os homens... e os mortos.


Então desista, seus esforços são inúteis.
Isso aqui é uma guerra, e você não vale um pingo de nada se você não tem coragem de puxar o gatilho.
Você não passa de excremento e sangue se você não consegue se apoiar sobre as suas palavras.
Você não passa de lixo morto, se tudo o que você diz não passa de uma mentira e uma desculpa, um jeito divertido e descompromissado de levar a vida...suas palavras são uma mina terrestre na qual você pisou e vai explodir a qualquer instante. Você é uma ideia copiada, uma caixinha fechada e pronta para ser vendida, uma fórmula já feita, porque você não sabe pensar, então alguém tem que fazer isso por você.

O que você diz não diz nada, suas palavras são gritos mudos em meio às explosões de bombas e morteiros.
O que eu quero ver é o estrago que o seu tiro consegue fazer...



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Joy Division - Dead Souls


Someone take these dreams away
that point me to another day
A duel of personalities
That stretch all true reality

They keep calling me
Keep on calling me
They keep calling me
Keep on calling me

When figures from the past stand tall
and mocking voices ring the hall
Imperialistic house of prayer
Conquistadores who took their share

They keep calling me
Keep on calling me
They keep calling me
Keep on calling me

Calling me, calling me




Pessoalmente, devo dizer, eu prefiro a versão do Nine Inch Nails dessa música...

Atenciosamente, Chakal.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

...A...

Não é uma questão política...
nem social, de defesa ao próximo ou qualquer que seja,
é uma questão sobre a minha vida...
Eu não escolhi as coisas nas quais acredito
para atear fogo em alguma coisa,
ou para ser contrário a tudo e todos.
Eu não escolhi isso para ser um problema e trazer para mim os holofotes.
Eu escolhi por que me incomoda o contrário, em grande parte.
Eu escolhi esse caminho porque eu acredito no certo e no errado.
E eu quero fazer as coisas certas.
Eu escolhi isso porque me consome toda a raiva que eu já senti.
E o ódio ao saber que eu estava certo e mesmo assim...
MESMO ASSIM...nada pôde ser feito.
Por que não era à vista dos outros que eu estava errado,
o problema não era esse.
O problema é a pessoa errada não pagar pelo erro.
Simplesmente por que ela tem Poder.
É o poder que desequilibra tudo.
É ele que traz peso em uma balança onde apenas os fatos deveriam pesar.
É ele que sobrepõe toda e qualquer atitude, correta ou não.
E é quem está certo que paga por isso...

É por isso que me oponho a qualquer contraponto desnivelado.
e não por qualquer motivo que seja.
Eu me oponho porque estar certo deveria calar todos os errados.
Deveria subjulgar qualquer outra opinião ou posição contrária,
se, e apenas se frente aos fatos ela se fizer inútil.

É por isso que me oponho,
porque existem pessoas acima das leis,
acima de Justiça,
acima de certo e errado,
e essas pessoas devem cair.

Não é porque eu quero igualdade.

Não somos todos iguais.
Alguns são incapazes de ser algo decente.
A maioria sem dúvida.
Não é pela igualdade,
é pelo direito,
é pelo certo,
é pela possibilidade de estar certo,
é porque meu sangue é vermelho como o seu,
e sua cabeça suporta exatamente o mesmo golpe que a minha.
A mesa é redonda e qualquer um em cima dela deve ter os pés cortados.
Porque todos podem estar certos, e todos podem estar errados,
mas estar certo torna tudo diferente.
Existe mais entre isso, mais do que certo e errado,
mas quando existe...
Bem, quando existe então a esperança já se foi e restam apenas desculpas, não?


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Capital G - Nine Inch Nails


I pushed the button and elected him to office and a
He pushed the button and he dropped the bomb
You pushed the button and could watch it on the television
Those motherfuckers didn't last too long

I'm sick of hearing about the "have's" and "have not's"
Have some personal accountability
The biggest problem with the way that we've been doing things is
The more we let you have the less that I'll be keeping for me

Well I used to stand for something
Now I'm on my hands and knees
Trading in my god for this one
And he signs his name with a capital G

Don't give a shit about the temperature in Guatemala
Don't really see what all the fuss is about
Ain't gonna worry about no future generations and a
And I'm sure somebody's gonna figure it out

Don't try to tell me that some power can corrupt a person
You haven't had enough to know what its like
You're only angry 'cause you wish you were in my position
Now nod your head because you know that I'm right... alright!

Well I used to stand for something
But forgot what that could be
There's a lot of me inside you
Maybe you're afraid to see

Well I used to stand for something
Now I'm on my hands and knees
Trading in my god for this one
And he signs his name with a capital G




quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Burning

Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir desculpas por não ter lido nem comentado os blogs que eu gosto de acompanhar, não tive tempo desde que voltei para São Paulo...
Como alguns de vocês provavelmente sabem, eu gosto bastante de um seriado chamado House...mas não é sobre isso que vim falar. O que vim postar hoje é bem simples e serve para me policiar e não abandonar o blog como fiz antes. A relação disso com o seriado é que o ator Hugh Laurie, que dá vida ao protagonista que dá nome à série fez o que a maioria das pessoas faz, escreveu um livro. O que ele não fez foi escrever um livro sobre sua vida, sua carreira e coisas do tipo. Ele escreveu um romance, e dos bons. Muito bom, aliás. Se alguém se interessar, o nome do livro é O Vendedor de Armas. Segue um trecho interessante do livro, que diz algo do que eu digo sobre reclamar de algo mas não fazer nada a respeito...



" (...) A oportunidade de dormir em minha própria cama era a única coisa boa de tudo isso. Então caminhei a passos largos por Bayswater e, enquanto caminhaava, tentei ver o lado engraçado da coisa.
Não era fácil, e não sei se consegui fazer direito, mas é algo que gosto de fazer quando as coisas não vão bem. O que quer dizer que as coisas não vão bem? Comparado com o quê? Você poderia dizer: comparado com as coisas há umas duas horas, ou talvez há uns dois anos. Mas não é isso que eu quero dizer. Se dois carros estão indo em direção a um muro e eles não têm freio, e um deles bate no muro um pouco antes do outro, você não pode passar aqueles momentos dizendo que o segundo carro está bem melhor que o primeiro.

Morte e desastre estão sobre nossos ombros a cada segundo de nossas vidas, tentando nos acertar. A maior parte do tempo eles erram. Muitos quilômetros sem uma colisão central. Muitos vírus passam por nosso corpo sem nos atacar. Muitos pianos caem um minuto depois de você ter passado. Ou um mês depois, não faz diferença.

Então, a menos que a gente se ajoelhe e agradeça cada vez que um desastre não nos acerta, também não faz sentido reclamar quando ele acerta. Nós ou qualquer outra pessoa. Porque não estamos comparando ele com nada.

E, de qualquer forma, estamos todos mortos, ou nem nascemos, e toda a vida é na verdade um sonho.


Pronto. Viu só? O lado engraçado da coisa."




Por hoje é isso, volto em breve.

Atenciosamente, Chakal.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Rebirth

Muito tempo sem escrever, tempo até demais...
Troquei as férias de lugar e fiz das minhas férias escolares o tempo do blog, isso não vai se repetir, mas esse semestre eu não pude impedir, então desculpem-me pela ausência, aqueles que ainda se disporem a ler, não vou ser longo, já que vou traduzir para o inglês para postar no meu DeviantArt também. Enfim, vamos às vias de fato.

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Você acha que vai ser o quê?
Daqui 10 ou 20 anos?
E no momento de sua morte?
O que vão dizer?
Bom amigo, bom pai, bom marido, boa mulher?
Apenas?
Você espera que nesse tempo toda sua vida seja uma festa?
Vai viver como se fosse sempre o último dia de sua vida?
E se esse não for o último dia de sua vida?
E se o amanhã vier te cobrar?

A vida não é um parque.
Você não pode ser burro,
ser idiota, inconsequente,
inocente, impulsivo e só.
A vida não é uma força,
se você for legal ela não vai te dar tudo em dobro.
Se Deus ou qualquer outra força existe,
ele tem problemas maiores com o que lidar.
Você não pode esperar que alguém,
quem quer que seja, resolva seus problemas.
RESOLVA SEUS PROBLEMAS.
A vida não vai resolvê-los porque você foi caridoso,
porque agiu corretamente e foi um bom filho.
A vida não é boa, não é justa, não é uma recompensa e nem uma benção.
Ela é provavelmente o maior martírio de toda a sua existência.
Então corra, se esconda, fuja, grite, chore, se mate.
Ou então lute, sofra, se rasgue, mate, torture,
e faça o que puder para se manter vivo em um único pedaço.
Você não pode se dar ao luxo de errar e esperar piedade.
Você não pode perdoar a todos,
Você não pode deixar todos os erros passarem.
Os seus ou os dos outros.
Você não tem tempo para correr do que acredita,
fazer as coisas do jeito errado.
Não é tempo de dizer que não existe certo ou errado.
Alguém vai te cobrar, e aquele que estiver certo vai estar com uma máscara preta, um machado em seu pescoço, e seu sangue sob os pés dele.
Você não tem tempo para errar, nem de se iludir.
Se mantenha em pé, corra, respire, tire do mundo tudo o que puder.
Arranque dele o máximo que puder.
Deixe seu nome nos ouvidos dos outros, não o leve com você.
Deixe um rombo na vida de todos, abra uma ferida que nunca se fechará.
Marque o mundo com algo que fez.
Respire fundo.
Sinta o sangue em suas veias...
Sinta o pulsar forte.
Sinta o pulsar jogar fora teu sangue,
Você sangra e morre,
um pouco mais, um pouco mais.
Sinta o cheiro, o gosto.
Sinta o gosto, o mesmo desde que você nasceu.
Você se engasga e morre em seu próprio vômito, ensanguentado, afogado, baleado, esfaqueado, espancado.
Deitado na sua cama, tranquilamente.
Respire fundo, sinta a dor.
É só mais um dia, não é como se não houvesse amanhã...

domingo, 4 de abril de 2010

Just in case...

Novo ambiente, novas "relações", novos, e também velhos, problemas...

Sorrisos. Contrações dos músculos faciais em reação a uma situação ou até mesmo um pensamento, de expressão alegre ou de satisfação, ou ainda...
...A gradiosidade do sistema de relações humanas. O maior presente que as pessoas que buscam agradar os outros podem receber quando fazem sua tarefa com maestria, ou mesmo pobremente, dependendo de quem é agradado.
Seu sorriso pode muito bem elevar esse tipo de pessoa, ou até mesmo pessoas que realmente gostem de você. Aliás, ele o fará.

Seu sorriso pode rasgar uma pessoa, fazê-la em mil pedaços, por abaixo seu mundo e por terra seus sonhos. E, sem dúvida, ele o fará.

O momento social, cercado de pessoas, seja amigos, desconhecidos, mortos e vivos, é repleto de gestos. As pessoas forçam aquilo que são, sorriem e jogam seus cabelos para os lados. Dão indícios do interesse e personalidade. E dão ainda vestígios de seus medos. Medo de serem rejeitados, medo de não agradarem, de parecerem estúpidos, como se o fosse mais possível do que já é.
Essa garota na minha frente por exemplo, conversando com esses dois caras, colegas de faculdade provavelmente, já que é para lá que vão. O cabelo forçadamente desidratado dela não sossega por um instante sequer, sendo sempre recolocado sobre um dos ombros ou erguido em uma tentativa comum de revelar mais o pescoço, área de atração sutil humana. Em uma porcaria de um ônibus completamente lotado essa garota consegue se equilibrar sobre sapatos que lhe rasgam lentamente a carne, somente para ter uma postura que normalmente não teria, e apresentar um corpo que na verdade ela não tem. Ela não é feia, apenas inteiramente ignorante.
Eu sei, é feio julgar sem conhecer. Dane-se. Ela dá todos os sinais que eu preciso para saber o que ela quer e o que está fazendo... E não é como se eu estivesse atento ao que ela faz. Ela é mais exibida que um pavão, jogando sua voz rouca por todo o vagão com a capacidade de um verdadeiro barítono, e fazendo amplos movimentos de nadador com os braços. É na verdade uma tortura, a impossibilidade de escapar a atenção dela. É vergonhoso pensar em pertencer à mesma espécie de algo desse tipo.
Mas as pessoas não ligam. Pelo contrário, é exatamente o que admiram. E quem sou eu para dizer algo? Ninguém. Só o cara que infelizmente não possui um aparelho portátil de som mais potente e que não vá incomodar os outros para abafar a voz da gralha. Torna-se então uma faca no peito, ser educado com aqueles que me rodeiam, e deixar meu cérebro ser permeado, mesmo que não influenciado, mas desgastado, pelas besteiras que saem daquela boca em formato de tampa de boeiro com batom.
E os sorrisos. Nossa geração é provavelmente a mais feliz do mundo. Quantos sorrisos! É como se tudo fosse de uma expressão sem fim. É tão macabro, ser remontando a mesma fisionomia várias e várias vezes, a cara se deformando em minha mente em um vórtice gigante, rindo e rindo, como um maldito palhaço que exala graça por cada poro do corpo.

É irritante. Sorrisos falsos, esses que vejo à minha frente todos os dias, em todas as convenções adotadas, em toda a pastagem de comportamento que devemos comer e ruminar quando necessário, e seguir esse padrão frente a uma pessoa que faz exatamente o mesmo. Tudo, menos sinceridade. Ser uma pessoa interessante é simplesmente fazer a outra rir, ter senso de humor o suficiente para manter essa relação sempre em tom cômico e divertido. E nem precisa ser humor inteligente, não se você estiver interessado em certos tipos de pessoa. Veja, por exemplo, o gloss
com pernas logo a frente, fazendo sucesso com os dois rapazes de igual complexidade. Sorrisos e mais sorrisos, olhares que rasgam as pessoas que os rodeiam e não se indentificam com aquele comportamento, e que anseiam por algo, digamos, mais real. Mas o que pode ser real em um mundo onde, por opção, uma verdade é relativa, e o fato é questionável? O que pode ser real, em um mundo onde por opção, sorrisos escondem coisas tão fúteis, ao invés de sentimentos sinceros? Não, o mundo não é real. É uma grande mentira. Uma grande feira de máscaras, um grande circo. Meu objetivo aqui é derrubar quantas tendas eu conseguir, para ver o circo pegar fogo...É meu ponto, o ônibus já vai parar..."


Ghosts - Leprechaun

I see a lot of faces
They never seem acquainted with me or with my pals
They always shake my hand AND commonly call me friend
But I don’t like to see’em around
I see the hypocrits
A bunch of litany and it always seems sincere
But I can see behind their eyes they’re just beguilers
Cheating with their masks
I see the egoists
They never say a shit but I can always read their minds
Alienated brains produce the living-deads
They always hold the same old ground
I see the sickly crew So full of apathy
and they built this creepy land
But I can see behind their signs the fact of life
Ain't faithful unto death
Ghosts, ghosts, ghosts
Rove alone
They are nothing they are none
Ghosts, ghosts, ghosts
I’m someone
So maybe I’m the fucking spook

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Caça aos dragões

Não é meu texto, é de um escritor chamado R. A. Salvatore, famoso criador do drow de Forgotten Realms, Drizzt Do'Urden, em seu segundo livro, Rios de Prata. Não é um texto sobre RPG, é sobre mundo e vale a pena ser lido...



"Rezo para que nunca se acabem os dragões do mundo. Digo isso com toda a sinceridade, embora tenha tomado parte na morte de uma das grandes serpentes. Pois o dragão é o inimigo quintessencial, o maior dos adversários, o epítome inconquistável da devastação. O dragão, acima de todas as outras criaturas — mesmo dos demônios e diabos —, evoca imagens de esplendor sombrio, da grande fera enrodilhada e adormecida sobre o maior dos tesouros. São o teste supremo do herói e o medo supremo da criança. São mais velhos que os elfos e mais afeitos à terra que os anões. Os grandes dragões representam a besta sobrenatural, o elemento fundamental da besta, aquela parte mais sombria de nossa imaginação.

Os magos não lhes conhecem as origens, apesar de acreditarem que um grande mago, um deus dos magos, deve ter desempenhado algum papel na criação dessas feras. Os elfos, com suas longas fábulas que explicam a criação de cada aspecto do mundo, têm muitas histórias antigas sobre as origens dos dragões, mas admitem, reservadamente, que não fazem realmente a menor idéia de como os dragões vieram a existir.

Minha própria crença é, de longe, a mais simples e, contudo, a mais complicada. Acredito que os dragões apareceram no mundo imediatamente após a criação da primeira raça pensante. Não dou crédito a nenhum deus ou mago por essa criação, e sim a mais básica imaginação — urdida a partir de medos invisíveis — desses primeiros mortais racionais.

Criamos os dragões como criamos os deuses, porque precisamos deles; porque, em algum lugar no fundo de nossos corações, reconhecemos que um mundo sem dragões é um mundo no qual não vale a pena viver.

Há tantas pessoas na terra que querem uma resposta, uma resposta definitiva; para tudo na vida e mesmo para tudo o que possa haver depois da vida. Estudam e testam, e porque esses poucos encontram as respostas para algumas perguntas simples, supõem que deve haver respostas para todas as perguntas. Como era o mundo antes de existirem as pessoas? Será que nada existia a não ser trevas antes do sol e das estrelas? Será que existia alguma coisa? O que éramos nós, cada um de nós, antes de nascermos? E o que — o mais importante de tudo — seremos após morrermos?

Por compaixão, espero que esses questionadores nunca encontrem o que procuram.
Um autoproclamado profeta se apresentou em Dez-Burgos negando a possibilidade de uma pós-vida, alegando que as pessoas que morreram e foram ressuscitadas pelos clérigos na verdade jamais haviam morrido e que suas alegações sobre experiências além-túmulo eram um truque elaborado de seus próprios corações, um ardil para facilitar o caminho em direção ao nada. Pois isso é tudo o que havia, dizia ele, um vazio, um nada.

Jamais em minha vida ouvi falar de alguém que implorasse tão desesperadamente para que provassem que ele estava errado.

Pois o que nos restará se não sobrar nenhum mistério? Que esperança poderemos encontrar se soubermos todas as respostas?

O que é isso dentro de nós, então, que quer negar tão desesperadamente a magia e desvendar o mistério? Medo, eu presumo, baseado nas muitas incertezas da vida e na incerteza maior ainda da morte. Ponha esses medos de lado, digo eu, e viva livre deles, pois, se dermos apenas um passo para trás e observarmos a verdade do mundo, descobriremos que, de fato, há magia ao nosso redor, inexplicável por meio de números e fórmulas. O que é, se não mágica, a paixão evocada pelo discurso arrebatador do comandante antes da batalha desesperada? O que é, se não mágica, a paz que uma criança encontra nos braços da mãe? O que é o amor, se não mágica?

Não, eu não gostaria de viver num mundo sem dragões, assim como não gostaria de viver num mundo sem magia, pois esse é um mundo sem mistério e um mundo sem fé.

E esse, temo eu, seria o truque mais cruel de todos para qualquer ser consciente e racional."

Drizzt Do'Urden

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Monólogo

"-Já parou para pensar em porquê... não, o senhor provavelmente não fez isso.
Desculpe, não quis acusar-te. Mas me deixe terminar.
Você provavelmente não parou para pensar todas as vezes em que alguém te criticou e o senhor, automaticamente, sentiu-se apenas com raiva e frustrado, chateado com a pessoa, e em momento algum parou para pensar no que lhe foi dito, e no porque daquilo. E sim, eu sei que vai dizer que sim, que o senhor pensou, mas que a pessoa foi grossa, que não tinha o direito ou que não era verdade ou o jeito certo de falar. Todas essas coisas parecem, com o meu perdão, estúpidas senhor.

Prossigo por partes.
Primeiramente você não pensou, estava ocupado demais procurando os motivos para refutar aquilo, ao invés de pensar nos motivos daquela pessoa lhe dizer aquilo. Em segundo lugar, uma pessoa grossa não deixa de estar certa simplesmente por não agir conforme os preceitos da educação e fineza. Os argumentos dela não são menos válidos do que os de uma pessoa polida e, na verdade, são muitas vezes melhores por não se cobrirem com as várias vestes e máscaras que a educação imbui às suas frases. O mesmo vale para a maneira com que se fala; não é isso que interessa e sim o que se diz. Quanto ao direito do que se diz meu senhor, vivemos em um mundo de homens livres, e algum dia um escritor há de escrever que liberdade trata-se de fazer o que quer, e isso inclui dizer aos outros tudo que se quer dizer, e não ser barrado pelo que o ouvinte não quer ouvir. Talvez a frase seja melhor formulada num futuro, eu não tenho tal dom. O que percebo entre meus clientes e, como seu amigo espero poder lhe ser sincero, é que as pessoas pararam de escutar umas as outras, se é que um dia o fizeram.
Todos reclamam dos outros sem olhar para si mesmos, e quando falam aos outros o que esperam deles ou o que acham ser o melhor, são completamente ignorados, mesmo que não com rancor, mesmo que com afeto, mesmo assim ignoradas. Trata-se de ouvir atentamente, ao invés de soltar mil palavras a esmo e esperar que alguma delas esteja certa.
Não é sobre seguir cegamente, mas sobre pensar de fato. Não se ganha uma discussão pelo número de palavras ou pela complexidade das frases que se formula. Ser grandioso trata-se de compreender o que os outros dizem, amar cada palavra como uma forma de crescer, rasgar-se em mil pedaços com o mínimo ponto de exclamação de terceiros e atentar ao que precisa ser melhorado, e não ficar com raiva e empacar-se como uma criança chorona. Mas talvez eu tenha me excedido, meu senhor.


-Não tenha dúvidas de que o fez, meu caro. Não sou obrigado a ouvir o que ouvi de nosso amigo e agora ainda ter que ouvir de você todas essas besteiras. É um homem de inteligência elevada, mas eu sei o que fazer de minha vida e ao alto de tal idade como estou, saberia mais rapidamente que um relâmpago o que devo ou não fazer. Sou o que sou, não preciso pensar sobre isso e nem, onde já se viu, mudar pelas palavras de um idiota qualquer! Está tarde e eu preciso ir, as ruas estão cada vez mais perigosas com o tempo. Boa noite e obrigado pelo chá.

-Disponha, e boa noite - A porta se fecha à saída do velho médico - eu provavelmente me excedi na conversa e as palavras não entraram nos ouvidos certos. Porém talvez as paredes mudem a posição de suas tábuas e as cores de sua cobertura.


A noite caiu tranquilamente e a lua se fez valer, como se nada tivesse acontecido ou importasse, ignorando a conversa por completo. Bem dizem que a noite é uma criança e a lua é uma donzela, surda provavelmente."


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Der Growl to grow up.

Estamos nós no início de nossas vidas, aos nossos poucos anos de idade e nossos pais nos dizem o quão brilhante somos e ainda seremos. E antes disso nós comemos e dormimos e comemos e dormimos e defecamos e comemos e dormimos, e mesmo assim nós somos diferentes dos demais animais, e mesmo dos demais humanos.

Estamos nós crescendo e aprendendo uma quantidade infinita de coisas e o mundo mesmo assim soa tão pequeno, tão limitado. E nós estamos aprendendo a falar, e a andar, e quando menos percebemos estamos cercados de amigos que devemos fazer e ter, e crescemos. E quando menos percebemos estamos em uniformes, sentados e aprendendo todo o conhecimento que a nós é disposto, e nós nem ao menos sabemos porque. E nós aprendemos, a ler e escrever, mal seguramos um lápis e nós aprendemos. E mentem, nos dizem como somos especiais, quando na verdade mal somos. E nos dizem que desenhamos bem, que somos inteligentes, que sabemos muito, que somos bons em matemática e português, e amarrar um calçado exige memorização e esforço.

E nós crescemos, e somos cercados de amigos, mas as coisas soam um pouco diferentes agora. Às vezes alguns sofrem, e colegas de aula parecem inimigos, muitas das vezes a maioria deles. E eles são inimigos que te humilham, humilhação gigantesca para aquele pequeno universo em que você vive. E é aqui que o caminho se bifurca pela primeira de muitas vezes. É aqui que alguns se tornam algo que ainda não sabem, ou continuam sendo o motivo de diversão de terceiros, mesmo se aborrecendo. E a vida segue.

E crescemos, e as pessoas vão e vem em nossa vida, e os amigos que nos lembraremos quando fomos pequenos desaparecem e se tornam estranhos, e alguns não. E não interessa, porque se o caminho que nós escolhemos foi nossa própria escolha nós continuamos alvos, e senão, nós somos os atiradores, e esse ainda não é o momento de atirar. E a vida cresce um inferno. As pessoas por quem nós achamos ou nos interessamos não se interessam por nós, e quase todas as nossas escolhas estão erradas porque nós ainda não pensamos, não agimos, nós só fazemos. E a vida continua, e nós temos nossos amigos, bons, alguns menos, outros mais, e eles são alvo, ou se tornam atiradores, e é aí que tudo começa de verdade. Ainda não é hora de atirar, mas nossos amigos vão nos dizer que sim, e que é hora de ser um grupo, ter uma namorada bonita e popular, e inteligente, não que nós saibamos o que é isso além de uma nota na escola. E os professores vão gostar de nós, e nossos colegas vão nos odiar, e então nossos amigos terão razão e está na hora de atirar. E é aí que nós escolhemos pela segunda ou terceira vez, e é aí, pelos 11, que nós seguimos pelo caminho que não mais importa. Ou não, ou nós continuamos a ser o alvo. E é aí que importa.

Nós crescemos, e continuamos sendo o alvo, mas nós podemos ter sorte, achar uma companhia além dos amigos, ou seguir sozinho, e as coisas que nós dizíamos nunca fazer começam a ser feitas por nós, e escondidos, porque é preciso provar aos outros o que somos, e que somos grandes, nós precisamos sentir e provar que somos grandes. E é aí que a escolha já foi feita e o caminho foi trilhado, e então tudo fez sentido e seremos todos idiotas eternos, e é esse o caminho que todos tomam. Todos menos os alvos, que continuaram. E é a esse que interessa.

Porque o alvo está crescendo onde os outros não crescem, mas ainda não é a hora.

As coisas que dizíamos erradas quando criança pareciam erradas porque nosso mundo era curto, e nós achamos que não passava de besteira. E então eramos crianças, e não mais somos, não porque realmente éramos, mas porque todo mundo dá as mesmas desculpas para as besteiras que se faz, porque quando éramos crianças não tínhamos desculpas para as coisas, então o certo e o errado não tinham essa neblina de desculpas e teorias que têm hoje, e era fácil discernir.
E a maioria já se foi.

Restam apenas alguns. Mesmo nossos amigos não estão no mesmo caminho que nós, eles não nadam mais contra a correnteza como antes e eles não são bem o alvo. Eles podem não ser os atiradores de ponta, mas os alvos não.

E nós crescemos, e ao sair para sempre da escola, nós escolhemos nosso próprio caminho, mas os outros estão em um só, e nós estamos sozinhos. É melhor correr para eles, então essa é a última escolha errada, quando todas as coisas que criticamos nos parecem boas porque todos fazem e se divertem, e então não interessa mais, porque mesmo sem esses colegas, nossos novos de faculdade ou de trabalho nos fazem sermos o que lutamos para não ser: os outros. E como eu disse, não interessa mais, então o outro caminho...

Nós crescemos, e a essa altura, nós não mais teremos colegas. Nossa vida de infernos inúteis vai parecer tão pequena se tivermos escolhido nosso próprio caminho que as pessoas vão ficar para trás como seres pequenos, em seus mundos medíocres. E então suas escolhas antes tão julgadas e erradas vão lhe parecer certas, e então você não precisa mais tremer ou se jogar ao vento dos outros. Você é seu próprio furacão.

E então de onde nós estamos nós podemos atirar, porque nós estamos sobre toda a pilha que nós construímos, contra todo o lixo, sobre nossos próprios ideais nós nos erguemos e agora não podemos mais ser alvo, senão de outros como nós. E é agora que nós atiramos, agora que estamos alto e nós podemos ver os outros tão pequenos e medíocres. Agora é fácil disparar e acertar sem medo, entre os olhos daqueles que não enxergam.

Porque agora, eles são os alvos.



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E "nós" pode ser só eu, ou não. Mas ao final de tudo, se você é você e não outro, terá valido a pena, e alguém vai lhe alcançar e ser uma companhia, porque é difícil chegar ao topo, mas é fácil avistar a verdade quando se está acima da neblina das desculpas e teorias de todo mundo.

"1,000,000"

Kind of hard
Hard to see
When you crawl
On your hands and your knees
With your face
In the trough
Wait your turn
While they finish you off
Don't know when it started
Don't know how
Should have found out
Should have happened by now
Got these lines
On my face
After all this time
And i still haven't found my place

I jump from every rooftop
So high so far to fall
I feel a million miles away
I don't feel any thing at all

I wake up
On the floor
Start it up again
Like it matters anymore
I don't know
If it does
Is this really all
That there ever was?
Put the gun
In my mouth
Close your eyes
Blow my fucking brains out
Pretty patterns
On the floor
That's enough for you
But i still need more

I jump from every rooftop
So high so far to fall
I feel a million miles away
I don't feel any thing at all


Boas festas a todos, e até minha volta de férias.
Atenciosamente, Chakal.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pós...

Aqui estou eu, tardiamente ao que queria, finalizando essa trilogia com um texto que não vai agradar a grande maioria.
Meu objetivo com essa linha de textos se explicará ao final deste, senão se fez já presente, mesmo com a demora desse último.

Me restam os parágrafos 6, 5 e 1, que não por acaso são a minha parte preferida, porque essas ideologias se quebram sozinhas e são, de todas as que eu citei, as que mais aparecem.

As pessoas hoje em dia, principalmente os jovens entre 15 e 25 anos simplesmente odeiam os EUA, o Capitalismo, e qualquer estilo de música que não MPB...
Digo, vocês só podem estar de brincadeira...
eu poderia muito bem terminar esse texto aqui e deixar vocês pensarem, mas eu gosto de falar e todo mundo sabe disso, e eu tenho medo de que o senso comum consuma a opinião de todo mundo até a raiz.

De qualquer modo, continuemos. Eu entendo perfeitamente essa linha de pensamento. O que eu não consigo entender é como tanta gente prega isso e não para nem para pensar no que está dizendo.

Pensem comigo, temos os EUA, uma nação indiscutivelmente forte e com capacidade de desenvolvimento além da imaginação de qualquer era ou o que quer que seja. Temos também nos EUA, o 13º IDH, medidor que leva em conta três fatores: Educação, PIB per capita e expectativa de vida. Como todos sabemos, temos lá o mair PIB do mundo, e mesmo com uma população igualmente gigantesca, é um fator extremamente favorável. Mas algo nos EUA chama a atenção. A Educação, com um sistema extremamente forte e algumas das melhores faculdades do mundo. Bem, o que falar mal de um país como esse? Muitas coisas, incontáveis, desde o imperialismo extendido à todo o Globo pelo militarismo até políticas intransigentes como subsídios e tudo mais.
Eu porém, tenho uma pergunta.

QUAL PAÍS NÃO FAZ EXATAMENTE A MESMA COISA?

"Ah, mas o Brasil não intervém militarmente em país algum, nós não fazemos guerra e nem impomos nossa cultura e vontades à outros povos"...É, é, fala isso para a América do Sul.

Eu vou por partes. Primeiramente, intervenções militares. É o tipo de coisa à qual o povo brasileiro tem uma aversão constante. Militarismo existe quando nenhum outro argumento pode ser utilizado. Isso ocorre entre países com mais frequência do que se imagina. Aliás, esse é o único motivo da ONU não funcionar. Parece irônico não? E é mesmo. A Organização das Nações Unidas, erguida para trazer paz e equilíbrio nos interesses de todos os países do globo só não consegue a PAZ que tanto almeja por não possuir um exercíto que imponha aos outros as medidas que a maioria deseja adotar. "Com um exército não se resolve o problema da PAZ, mas se gera mais GUERRA". Pode ser, mas com certeza seria um meio de ter impedido os EUA de invadir o Iraque, ou de ter forçado o Brasil a pagar o que devia à Bolívia. Brasil? Como assim? Poxa vida, somos um país tão camarada, sempre buscando paz e harmonia, ajudando todos ao redor, tal faz a Europa com seus países integrantes. Tão lindo aquilo tudo, viiu o que fizeram pela Islândia? O país com o maior IDH do mundo em 2006 foi ajudado por países Europeus pela crise e quebra que ela trouxe à Islândia.

Eu digo uma coisa...BESTEIRA.
Isso tudo não passa de uma baboseira desmedida. A Europa injetou dinheiro na Islândia porque ela tem uma coisa que interessa, e muito, os países da Europa. É na Islândia que ficam os principais Bancos da União Européia a exceção do de Frankfurt, e é lá que se tem o maior centro financeiro da europa...SIMPLES.

O Brasil impõe sua vontade dentro do Mercosul desde que o bloco foi fundado. Nós não invadimos qualquer um dos países que nos afrontou nem nada, mas nós corrompemos o Governo da Bolívia na época para que ela vendesse à nós gás natural e petróleo a preço de banana. SIM, O NOSSO GOVERNO FEZ ISSO. E fez muito pior. Nós corrompemos o governo paraguaio da época da construção de Itaipú por que NÓS precisávamos de energia e não tínhamos. Assim eles nos venderam energia que eles não utilizavam a preço de banana, tal fez a Bolívia. Que exemplo de país hein?

E de onde saiu isso tem mais. O Brasil ainda império nas mãos de Dom Pedro II declarou guerra ao Paraguai juntamente com Argentina e Uruguai, pois o Paraguai queria tomar uma parte das terras brasileiras para ter portos no mar. Além disso, o Paraguai crescia abruptamente, com um mercado forte e educação de primeira qualidade. Pois, 3 países contra apenas 1, perderam as primeiras batalhas. Na época, senão me engano, o Paraguai possuía um exército de 150 mil homens aproximadamente, contra as forças da Tríplice Aliança, constituída de 250 mil homens, dos quais 200 mil pertenciam ao nosso país. Eles devem mesmo ter pisado no calo brasileiro não?

Interessante como o Paraguai conseguiu retirar da Guerra a Argentina e o Uruguai sem muito esforço ou perdas. O Brasil, que também passou por alguns bocados na mão do Paraguai, recebeu armamento e dinheiro inglês - sim, a Inglaterra, a dama de ferro da Europa, a Santa Europa, onde todos são civilizados e evoluídos, diferente dos malditos norte-americanos. Com os novos investimentos o Brasil partiu para a ofensiva e depois de muita guerra matou o Ditador de uma figa do Solano Lopez, juntamente com mais 300 mil paraguaios. 300 mil? Não eram 150 mil soldados? É, é, eu sei, mas é que 150 mil civis foram pegos nos tiros cruzados e explosões, sabe como é. A verdade é que o Brasil promoveu um massacre à população civil paraguaia, dizimando a maior parte dos homens, e milhares de idosos, crianças e mulheres. O que se vê do Paraguai hoje é culpa desse gigante pacífico e anti-guerras que é o Brasil. Não bastasse isso nós corrompemos o Governo para acordos que nos fossem vantajosos sobre esse país, que nós dizimamos. Não bastasse isso, quando compramos aqueles produtos baratos comprados na China, nós cometemos o preconceito estúpido de dizer que essas coisas são "do Paraguai". Sim, sim, o Paraguai, a nação conhecida pelos seus imensos portos que recebem mercadorias da China todos os dias. Eu não queria dizer, mas esse país somos nós, e o porto é o Porto de Santos, e de Santos ao Paraguai essas cargas rodam um bocado. Mas as cargas devem ir até o Paraguai e então voltarem ao Brasil para serem vendidas não é? Claro, porque nós não compramos muamba da China...malditos paraguaios.

"Ah, mas isso foi há muito tempo, e os EUA continuam fazendo isso pelo mundo todo".
Ah, foi mesmo a muito tempo, a Guerra do Paraguai terminou em 1870. Faz muito tempo! Mas os acordos que fizemos têm algumas décadas, e nenhum dos atuais administradores tem qualquer plano de reajustar para algo que realmente favoreça os países que nos vendem aquilo que compramos. Se nós não o fazemos hoje, então quer dizer que muita coisa não mudou ainda.

O fato é que não existem heróis e se você tem algo a dizer sobre a política internacional de algum país, que seja aquele no qual você nasceu ou vive. Os EUA têm uma população muito mais consciente e mentalmente desenvolvida para lidar dos problemas deles. Seja pelo menos coerente ao falar as coisas...

E sem essa de orgulho nacional e tudo mais, eu estou de saco cheio de gente que ama essas linhas imaginárias sobre as quais construímos muros...sem esse papo de livros que ensinam que a Amazônia é dos EUA...isso é uma conversa fiada sem fim. Pra mim nacionalismo é uma besteira do tamanho das outras que a gente lê na Veja, na Folha de São Paulo e da boca da juventude intelectualizada, adoradora de MPB, bêbada e decerebrada desse nosso grande país. Eu estou de saco cheio de gente ignorante...também estou de saco cheio do preconceito idiota que as pessoas têm com a língua inglesa, com a música americana e com a porcaria da cultura deles. Cultura é algo mutável, e todas elas mudam todo dia, não é por ser os EUA, a língua deles é provavelmente a mais fácil do mundo de se aprender e a gente não fala propriamente um idioma nacional. Tem um país na Europa que colonizou e nos ensinou o português. Cultura não é uma bola de ferro presa ao seu tornozelo. Se é, não me interessa o que ela te diz para fazer, me interessa o que ela tem a dizer... Você não é mais brasileiro do que eu porque você ouve música nacional, bebendo cachaça e fumando pito de palha, enquanto pronuncia palavras em Tupi e Português. Na verdade, se você é um adorador da sua cultura e um averso ao exterior, você é um xenofóbico
desgraçado, e xenofobia é preconceito...e preconceito é coisa de gente estúpida.

Hoje em dia se você é intelectual você é de esquerda e gosta de MPB. Gostar de qualquer outra coisa é só uma adição. Eu sinceramente penso que MPB como arte morreu na ditadura. Eu não vi mais nenhuma letra de música útil após isso. E não me digam que é porque não precisa...O Brasil nunca precisou tanto de arte útil. Nós não precisamos é de garotas na praia, dores de corno e céus estrelados com letras sem nexo. Minha mente pede por mais, se a sua pede por menos, azar o seu...(não estou dizendo que é necessariamente tudo ruim, mas eu não vi nenhuma útil, eu vi foi um monte de pose sobre ser inteligente e ouvir MPB...)


Agora quanto ao Esquerdismo, eu mesmo tenho tendências à esquerda, e acho os métodos anarquistas realmente úteis ao pensamento e à política. Mesmo assim eu não sou um sonhador como os comunistas que acho que a sociedade anarquista tem chance de virar realidade... Nós vamos viver o capitalismo por todo o sempre, amém. Duvida? Então abre mão da sua quantidade de sapatos, seus tênis e camisa. Compre só o necessário e viva sem sua maquiagem, seu som de última geração e seu computador ultra potente. Nós somos crias capitalistas e os merdas dos Socialistas de Faculdade ficam discursando algo que eles não fazem...além do que, os filhos da mãe pregam a porcaria de uma ditadura e vêm prometer igualdade?
Igualdade para uns, não para outros? .

Igualdade em uma sociedade com poder não é igualdade. E a ditadura é uma fase né, eu sei, uma fase sem fim por pqp, a China ainda é ditadura e já faz um século! Pra quando está marcada essa mudança? Da noite para o dia?
Ditadura é ditadura, e enquanto qualquer filho da mãe vier pra cima de mim com a idéia de que o comunismo é a solução dos problemas humanos eu vou chamar essa pessoa de um burro completo que só segue o que lhe dizem, sem nunca parar para pensar naquilo que se vê na escola.
Esse sentimento estúpido de correspondência à esquerda mas não seguir ideologias me mata.


Eu conheço pessoas de direita que pretendem fazer algo de bom para esse país e conheço muitas, mas muitas pessoas de esquerda que são inclusive de partidos, e que não fazem qualquer porcaria pelo mundo ou pelos outros...

Eu só queria, muito, mas muito mesmo, que vocês pensassem. Analisem aquilo que lhes é dito, mesmo que seja Jesus na Terra dizendo. Por favor! Não me interessa se foi seu professor de faculdade, de escola, de cursinho, seu pai, seu melhor amigo. Analisem, é para isso que nosso cérebro existe! É para isso que temos consciência, para sermos seres conscientes!

Não ergam bandeiras que não defendam, não digam coisas que não façam. E façam algo de útil, que seja se matar...

Uma única coisa desses três textos, não sejam estereótipos, não sejam o senso comum! Deixem para seguirem o senso comum o dia em que ele for útil para alguma coisa...Não somos comuns, evoluímos e deveríamos fazer uso desse acidente...



The Thing I Hate - Stabbing Westward

Lost in a world of doubt and insecurity
Nothing that you hold sacred, nothing you believe

Your life is a contradiction

While you thrive on manipulation
I fight to just hold on to what I believe
I won't become the thing I hate
I won't become the thing I hate

I won't become the thing I hate

I won't become you

You've treated me like I'm a worthless piece of shit

You think you're in control but you make me sick

I want to watch you suffer

The way that you've made me suffer

I want to fuck up everything you've ever loved

I won't become the thing I hate

I won't become the thing I hate

I won't become the thing I hate


I won't become you


Atenciosamente, Chakal.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Em...

Seguindo a linha, o segundo post de uma série de provavalmente 3 sobre mentalidade e senso comum, se você está começando a ler esse agora eu aconselho que já tenha lido o anterior previamente.

Bem, explicando melhor o que citei no texto passado para que nenhuma confusão seja feita, continuarei a linha.

Na estrutura de educação e manipulação, por assim dizer, vigente atualmente torna-se muito fácil a implementação de idéias que se tornam rotina.

Retomando a linha anterior, eu citei os índios, povo ao qual se atribui a perfeita interação com a Natureza. Bem, esse pode ser o caso das lendas e da Pocahontas, mas a história vai um pouco mais fundo que isso... mas uma explicação simples pode mostar alguma coisa diferente. Pense em um índio, pense em sua oca, pense em vários índios, pense em várias ocas, pense em uma aldeia, pense no espaço que essa aldeia ocupa, haviam árvores e mata nativa ali; pense nas armas que possuem para caçar e para se defender de ameaças externas, elas não foram feitas pensando nos portugueses ou algo do tipo, elas foram feitas para matarem onças, jaguatiricas, bichos preguiça, antas, dinossauros e o diabo que se pusesse a caminho. O ser humano precisa de um ambiente que lhe seja favorável, e para isso ele cria seu próprio hábitat. Sempre foi assim, e sempre vai ser. Nossa capacidade de viver em meio natural é perto de nula. Sim, os índios causavam menos impacto à natureza, mas eles eram em menor número, não conheciam muitas das ciências avançadas que tanto destroem e nem o instinto consumista, então, cest la vie!

Isso anula qualquer mal entendido do post passado.
Voltemos aos parágrafos.
Uma das idéias que, nas últimas décadas mais ainda, se disseminou entre a sociedade é o "salvar o mundo". Eu ainda me pergunto de quem ou de quê vamos salvar o mundo. Bem, para quem quiser algo mais divertido eu recomendo uma busca no Youtube ao nome de um cara chamado George Carlin e ao lado do nome dele as palavras "Save the planet portugues". Não que eu concorde com tudo que ele diz nos diversos shows dele, mas esse em especial é simplesmente genial.

Mas voltando, ressalto o quanto essa nova indústria de ambientalismo fatura com essa idéia de que tudo tem que ser renovável ou até que ser salvo. Eu dou uma prévia do que acho e depois exemplifico.

O PLANETA NÃO PRECISA SER SALVO! O PLANETA NÃO CORRE PERIGO! O MUNDO NÃO VAI ACABAR POR CAUSA DE LATAS DE ALUMÍNIO, SACOLAS DE PLÁSTICO E POLUIÇÃO DO AR.

Agora eu exemplifico...
existe um bicho gordo, preto com branco e preguiçoso chamado Urso Panda, que habita principalmente a região Centro-Leste da China e vive a base de brotos de bambu - daí seu nome - e de pequenos filhotes e ovos de outros animais. Pois bem, esse animal é citado desde antes do nascimento de Jesus Cristo apesar de não se saber ao certo se era realmente a mesma espécie. O que muito impressiona é como. O panda é um animal extremamente frágil, de capacidade agressiva diminuta, lento e grande, desajeitado e mal adaptado. O simples fato dos ursos pandas ainda existirem a tanto tempo é um milagre, e hoje, senão pela intervenção humana, o urso panda estaria provavelmente extinto. A fêmea do urso panda tem um período curtíssimo, que se limita à alguns poucos dias ao ano, quando raramente ela aceita a cópula de um macho e mais raramente ainda o macho se dispõe a tal. Se por acaso isso chegar a acontecer, a taxa de fecundação é baixa, e caso ainda ocorra, gera na maioria das vezes um único filhote, que geralmente acaba morto ao nascer pelo desajeito dos pais. Se não fosse o ser humano, os 1,6 mil pandas que hoje se encontram livres na China já estariam mortos, exterminados pela própria incapacidade. E é assim com a Natureza, os incapazes não sobrevivem. Esse é o ciclo natural.

Meus leitores podem estar indignados a esse ponto. Mas raciocinem. O panda é o símbolo da WWF, lindo comendo um bambu tranquilamente. Porque diabos? Eu digo. Porque nós nos familiarizamos ao que é esteticamente bonito. Apesar de gordo, o panda parece ser tipicamente agradável de se olhar, talvez pelo desajeito ou pelas manchas, não sei. O que interessa é que ninguém está preocupado quando mata uma barata, ou quando exterminam outros tantos animais pelo mundo todo. Está todo mundo preocupado com o Urso Polar e a Foca Branca no extremo do mundo, mas ninguém dá a mínima para a Chimera de Profundidade, que com o aquecimento das águas, provavelmente vai partir dessa para uma melhor. Pois eu digo uma coisa, seres humanos são desprezíveis do alto de toda sua divindade. Nós nos sentimos no direito de brincar de deus, mexendo com o ciclo natural das coisas e agindo como se nós fôssemos capazes de fazer algo perante todo o mundo. Nós somos incapazes de algo.
"Ah, mas e todo o arsenal nuclear que temos". Bem, ele com certeza extinguiria a vida humana e a maior parte dos outros animais do planeta. Porém muitos outros ainda sobreviveriam, como seria o caso da vastíssima fauna de profundidade do oceano, além de baratas! E além disso, a algum tempo atrás - uns 65 milhões de anos atrás para ser mais exato - uma pedrinha carinhosamente apelidada de Nêmesis (deusa grega da vingança) - varreu várias formas de vida, inclusive a forma dominante, e hoje cá estamos nós!
O fato é que mesmo a radiação não duraria para sempre e cedo ou tarde novas formas de vida surgiriam. O fato é ainda, que o ser humano é incapaz de salvar qualquer coisa porque ele é incapaz de destruir qualquer coisa que seja, quanto mais a Terra. E mesmo que quiséssemos, o consumismo desnecessário e a incapacidade de julgamente por parâmetros que não sejam os nossos próprios nos impediria de salvar qualquer coisa que não nosso próprio hábitat. Nenhuma das pessoas que quer salvar o mundo está preocupada com mais do que sua própria existência. Qualquer campanha ou organização não visa mais do que o próprio lucro quanto lança um discurso desses. As pessoas preocupadas com a existência do mundo sabem que ele não corre qualquer perigo.

O planeta não vai a lugar algum, podem ficar tranquilos.
Somos nós que estamos indo...

Ainda nesse texto, gostaria de ressaltar algo que muito me incomoda atualmente.
A insistência da maioria das pessoas que se dizem cultas em agir contra religião e, o pior, tentar negar a existência de deus ou o que quer que seja. Uma pessoa que faz isso tem como obrigação se calar perante as chamadas Guerras Santas. Ela é tão ignorante quanto os intransigentes religiosos do mundo todo. Se você quer respeito a primeira coisa que você tem a fazer é merecê-lo, e não vai ser dando uma de bonzão e criticando coisas das quais você não tem conhecimento algum que vai ter esse direito. As pessoas acreditam nas coisas, e elas se apegam, e a fé é capaz de coisas incríveis. Eu não sou católico, não sou sequer cristão, e nem faço parte de qualquer instituição, mas eu não julgo outras pessoas pelas crenças que elas têm ou pela falta delas. Só por favor, calem a boca. Ninguém precisa ouvir que deus não existe ou existe ou que é tudo uma grande conspiração. Dan Brown é um escritor de FICÇÃO, e bem meia boca se querem minha opinião. Qualquer pessoa que seja que queira discutir com alguém que tem fé em deus, perdeu sumariamente essa discussão. É IMPOSSÍVEL GANHAR DE UMA PESSOA QUE TEM FÉ. VOCÊ NÃO VAI CONSEGUIR.

Eu sou adepto da discussão e argumentista fanático e eu digo que é impossível. A definição de fé prova isso, ao dizer que "Fé é crer em algo sem ter provas disso". Pois bem, argumentar é dar provas de que aquilo que você defende está certo, ou que o seu opositor está errado, usando provas. Uma pessoa que não precisa de provas para sua crença torna impossível que qualquer pessoa desbanque qualquer coisa que seja.
E não me venham com teoria da evolução, Big Bang ou o que quer que seja, é medíocre. Os físicos não explicam os mílésimos de segundo antes da explosão do Big Bang, e durante uma conferência entre o 265º Papa, Karol Wojtyla, mais conhecido como Papa João Paulo II, e o famoso e pouco funcional Stephen Hawking, essa discussão foi posta em prática, e, a meu ver, o Papa saiu na frente. A física não explica e nem tem uma teoria sequer que seja aceita sobre os 0.0000000000000000000001 segundos que antecederam a explosão. Hawking dissertou sobre toda a teoria e o Papa a aceitou fundamentalmente, dizendo ter ficado inclusive entusiasmado, já que Hawking além de tudo é de uma didática fenomenal. Pois bem, mesmo assim o Papa fez uma ponderação. Apontando à fração de segundos inexplicáveis ele disse "Aqui foi Deus", e Hawking disse "Amém".

Mesmo que essa fração de segundo fosse explicável ainda assim, toda a evolução pode ter sido guiada por Deus ou pelo que quer que seja. E aí? O que se pode dizer? As pessoas se instruem e elas não se desapegam da religião e um motivo deve haver. Então se você não entende e não acredita nisso, só faça o favor e deixe para lá. Uma pessoa com fé é capaz de milagres.
O Novo Testamento foi escrito muitos anos, 2 séculos para ser mais exato, depois de Jesus Cristo, então as pessoas precisavam supor coisas e escreverem com direitos poéticos. Todo mundo gosta de questionar o Criacionismo, é a paixão dos ateus, mas ninguém nunca para para pensar que ninguém estava lá e que aquilo nunca foi escrito para se estar certo, só para ilustrar a crença dos homens no que aconteceu. A Bíblia é certamente o melhor livro de toda a humanidade, seja você Cristão ou não, se as pessoas se esforçam tanto para serem cultas, ela pode ser um bom começo.

Não estou dizendo que ser ateu esteja errado, mas é ignorância e preconceito julgar o que as pessoas religiosas têm se você se incomoda de elas te julgarem. Não existe certo ou errado quanto a isso.

Fé é uma coisa que a Ciência nunca vai conseguir desbancar, nem quando ela souber tudo que já aconteceu no universo inteiro. NUNCA. E na boa, não me interessa se professores de universidades renomadas falam que é errado. Um professor de universidade nem costuma saber sobre religião, o cara não passa de um idiota ignorante que nem sabe sobre o que fala, e todos os alunos ficam histéricos por reconhecerem nele suas idéias. Eles reconhecem nele sua própria ignorância isso sim...


Eu tenho fé de fazer das pessoas melhores, de fazer o que é certo e não o que somos programados, e pro inferno com suas teorias de que fé é besteira ou de que o que eu quero é ilusão...
você é um retardado, e nisso eu boto fé.


Atenciosamente, Chakal

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pré...

Uma coisa muito me incomoda, e a postagem que agora farei, incialmente a muitos poderá parecer uma coisa com a qual concordam, mas a leitura os pode incomodar de fato...enfim, nunca prometi nada aqui. Hoje venho falar de uma estupidez humana que eu realmente não consigo entender, o tão aclamado preconceito. Mas não, eu não venho falar de racismo, essa bobagem étnica que tantos propõem e clamam ou reclamam. Eu nem acredito nas raças entre os seres humanos que mais em defender racismo. Que diferença faz a quantidade de melanina de um sujeito? Eu simplesmente não me disponho a discutir algo para o qual quem o tem não possui nenhum argumento que seja. É simplesmente inútil algum esforço, então me abstenho...mas não me venham com como são injustiçados e merecem carinho e pena. Se alguém merece, ou pior, quer que eu sinta pena essa pessoa deveria se matar... Eu venho aqui falar de preconceitos que têm teorias para se justificar, para torná-los um pouco mais "intelectuais". Hoje, para ser mais exato do que "falar sobre preconceitos", eu venho aqui falar sobre senso comum...e isso exige um certo discorrer, então aguentem firmes aí.

Desde pequenos na escola mesmo, e principalmente, mas muito mesmo na nossa atualidade, nosso ensino se baseia em alguns princípios básicos, e aqui vamos à lista:


Constituição do Intelectual Atual
§1- Se algo é de esquerda é bom, se algo é de direita, é mau.
1.1 - se alguém foi socialista, essa pessoa era boazinha e oprimida

2.2 - esquerda é só socialismo, anarquismo é só bagunça...

§2- Se é sobre a Igreja, está errado, corrompido, imoral e tem alguma conspiração por debaixo. 2.1 - Ser ateu é ser inteligente (isso é pra faculdade...)

§3- A ciência é a razão.

3.1 - dizer que o homem evoluiu do macaco deve desmentir toda a fé e crença, como se o simples fato de um religioso dizer que a evolução foi guiada ou foi a forma de Deus ou qualquer outra entidade agir não fosse um argumento válido só porque não é científicamente válido.


§4- Se é sobre salvar a Natureza, é correto, e a pessoa é um Anjo na Terra.

§5- Se é na Europa atual, é bom

§6- Se é nos EUA, são um bando de filhos da p.... opressores do car... que só sabem mandar e impor, e tomara que o purgatório desça sobre a terra e torture cada um daqueles malditos...

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Bem, existem mais algumas, mas essas são as que mais me chamam atenção. O que eu vou propor é na verdade uma série de posts, então a leitura de todos estará intercalada e será necessária a leitura prévia de todos...enfim, vou na ordem que postei ali acima misturando quando forem necessários, talvez rendam uns dois ou três posts.
Primeiramente eu gostaria de discorrer sobre o ensino no Brasil. Desde cedo aprendemos sobre a história do mundo e há sempre uma divisão de lados, o que me chama muito a atenção sobre o motivo para tal. Então existiam aqui os vários índios que viviam felizes em contato com a natureza falando com os bichos e tudo mais e então vieram o português e o espanhol malvados e começaram a derrubar árvores e matar animais e índios e a trazer doenças e pestes e o Inferno se fez presente...

Bem, creio que ninguém aqui seja tolo de pensar isso mas eu tenho certeza que de relance essa imagem é provavelmente muito bem aceita não? Isso se deve a persistente dicotomia que o ensino brasileiro propõe desde sempre. Existe um lado bom e um lado mau, e o lado mau ganhou até hoje, por isso vivemos nesse inferno. Quer dizer, não é culpa sua, é só algo que aconteceu, a História explica. Sim sim, a História explica que um monte de gente nunca fez nada e só seguiu com a sua busca pela felicidade eterna através de prazeres passageiros enquanto se esquece de fazer alguma coisa de útil com a própria vida, que seja se matar...


A visão confortável desses fatos se deve a persistência no ensino e ao quão parece certo ouvir isso desde pequeno até hoje. Aliás esse também é o motivo para a maioria das coisas sem motivo que você provavelmente faz. Companheiros e companheiras, irmãos e irmãs, amigos e amigas e o diabo, eis aí o que eu chamo de lavagem cerebral ou, se preferirem, alienação. E você pode se perguntar se não é conspiração demais pensar que o Estado não iria querer isso, se não seria estupidez gerar uma juventude e uma futura sociedade que vai contra o governo sempre, se isso uma hora não sairia do controle.
Pois eu tenho duas historinhas para contar...


Primeira, existia um reino a muito tempo chamado carinhosamente de Romano. Lá viviam todo o tipo de pessoas, com suas próprias religiões e culturas, felizes e contentes, pagandos seus milhões em tributos e financiando uma linha de guerras sem fim. E lá existiam pessoas que pagavam até mesmo para morrerem, e pessoas que passavam fome e não tinham nada para sobreviverem. E essas pessoas começaram a ficar descontentes, revoltadas com o que lhes era imposto (familiar essa palavra não?) E então você deve pensar, o povo se revoltou e esse foi o fim do Império Romano... mas nem de longe meus caros.

O que veio depois foi uma sacada genial com a qual muitos podem não se familiarizar chamada
panis et circenses, ou em bom português, Pão e Circo. Consiste basicamente do seguinte. Ao povo era dado Pão (leiam comida e bebida) e Circo (leiam violência gratuita com direito a luta de gladiadores, gente morrendo e gente sendo torturada ou dada aos leões e tigres para serem devorados vivos). Bárbaro? Bem, os Bárbaros foram os que puseram um fim a isso e lhes é atribuído de forma tão PRECONCEITUOSA algo assim...que coisa feia.

ALIÁS, uma coisa que eu considero maravilhosa é que nessa época surge o cristianismo, e eu não estou sendo irônico, é uma das coisas mais maravilhosas da história humana. O Cristianismo não passava de algumas ceitas com pouquíssimas pessoas e que eram perseguidas pelo Governo e torturadas e dadas aos leões no Coliseu e em outras tantas arenas. E não, não estou com pena. O que muito me admira é em como uma ceita se transformará nos próximos séculos na maior religião do mundo. A fé cristã crê que todo sofrimento aqui é um passo a mais para o reino dos céus. O que ocorre é que as pessoas iam ver outras sendo mortas e torturadas e se espantavam ao ver pessoas sofrerem tanto sem implorar para viverem, sendo queimadas e cortadas, devoradas e tudo mais sem pedir por misericórdia. Aquela força na fé, que você pode até duvidar, mas existia, e é hoje uma repulsa a nós quando vemos e não compreendemos o porque de Islâmicos fazerem o que fazem, e em parte o motivo é esse, fé, coisa que a maioria não conhece. Enfim, a força delas na fé lhes dava certeza de que o caminho aos céus estava sendo feito ali, e elas se abraçavam aos seus ideais e não os negavam como lhes era imposto, e então elas morriam ali, defendendo o que acreditavam. Queira ou não, é isso uma das principais coisas que nos falta hoje. E foi isso que acabou motivando tantas pessoas a acreditarem que se alguém passa por aquilo, motivo deve ter. E então as pessoas abraçaram aquilo... Acho fantástico.

Bem, o que interessa é que o povo ficou contente e tranquilo. Daí você pode dizer, "mas isso não é massa revoltada como hoje em dia contra o Governo e nós não temos nenhum Pão nem Circo e o Império Romano caiu mesmo assim".
Sim, ele caiu, pela falta de guerras para lhe render ainda mais espólios. Não tem nada a ver com o povo.
E se não temos Pão nem Circo. Bem isso é discutível. Não temos pão, mas temos álcool, drogas e cesta básica. E você pode dizer "ah, isso de novo", e é, isso de novo, e deve ter um motivo. Mas deixemos de lado, vamos ao circo. Bem, como se sabe a censura não nos permite mais ver gladiadores se estripando ou cristãos sendo dados aos leões. Mas nada que não possa ser remediável. Já tem mais de ano que eu dissertei sobre a manipulação televisiva e sobre violência sensasionalista nos meios de comunicação. Preciso dizer mais?

Bem, para chegar ao sentido que faz ter uma população revoltada contra o sistema ser favorável ao próprio Governo eu recorro ao meu segundo caso: China ditadura comunista. Em suma, o aclamado Mao Tsé-Tung teve a idéia genial que foi implantada em todo o Governo Chinês e que é simplesmente perfeita. Ao Pão e Circo ele adicionou variantes. O Pão tornou-se Poder de Compra, faça dele o que quiser, e o Circo tornou-se exterminação televiosionada dos revoltosos e, aí vem a jogada de mestre, a publicação da Corrupção do Governo.
"Como diabos uma ditadura pode usar sua própria corrupção como forma de alienação populacional?" Eu sei... Pense em um chinês, que trabalha 12 horas por dia ganhando 50 centavos a hora de trabalho com condições mínimas de higiene, segurança e sem intervalo. Agora pense em uma ditadura que oprime a população a ponto da família de um condenado ter que pagar a própria bala que vai ser utilizada para matar o cidadão. Pense em um sistema de ensino forte, desde o básico até o universitário, de dar inveja à muitos países por aí.
Tudo pra haver uma revolta né? Pois bem, adicione a esses fatores uma capa de jornal digamos, duas vezes por semana em média, com a cara dos corruptos presos e condenados do sistema político chinês, e o chinês que trabalha 12 horas por dia vai ficar feliz de saber que o país dele tem um sistema educacional excepcional com lazer para todos e ainda consegue eliminar a corrupção que existe internamente, mantendo tudo lindo...Genial.

Pois bem, se a manipulação não existe eu sou um louco paranóico, mas que ela funciona ela funciona.


E é exatamente isso, criou-se um esteriótipo do que é ser intelectual, ser ambientalista, socialista, anti-EUA, esse tipo de coisa. Pois eu digo que é tudo uma besteira sem tamanho. Nunca conheci outra pessoa além de mim e do Tainã que vivessem sempre das mesmas camisas, roupas e sapatos, que não estivessem diretamente ligados ao consumo exacerbado. E nós dois somos os únicos que eu conheço que não nos dizemos socialistas, ambientalistas e o caramba. Quando você se desliga de certas bobagens percebe que existem muito mais bobagens do que se diz por aí. Ninguém está disposto a fazer nada, mas todo mundo está disposto a levantar bandeiras a torto e a direito. Pois bem, aqui estou eu com a gasolina e o isqueiro na mão analisando essas bandeiras...



Isso encerra o meu relatório sobre a educação no país e sobre a receita de como fazer uma população alienada e conivente sem que ela mesma saiba o que fazer. Obrigado a todos o que leram isso tudo. Daqui uns dias postarei os outros textos.

Atenciosamente, Chakal.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Think for yourself, Question Autorithy"

Correria, trânsito, trabalho, dia após dia. Festas, agitações, shows, boates, baladas...dia após dia...

Está todo mundo sempre correndo de um lado para o outro, apressados, estressados, insanos, sãos, religiosos e ateus, brancos e negros. Até os mendigos por aqui vivem correndo...e eles nunca tem nada pra fazer...

Com a Revolução Industrial do século XIX, ocorreu um divórcio entre a arte e a questão social que vinha sendo um casal extremamente bem sucedido, com artistas organizando movimentos que sempre tinham resultados extremamente significativos através do globo. Com o fim do casamento, a alieanação se instala e os artistas( leia os ditos artistas, preguiçosos) tomam o espaço que antes pertencia ao tema social para falar de nada com nada e retratar uma elite cada vez mais alienada e despreocupada com qualquer coisa que fosse.
Com o tempo, a arte passou a ser um soveunir, uma coisa para se ter pregada na parede da sala, para enfeitar e decorar... isso é deprimente.

Nesse momento vocês, meus caros (2) leitores, devem estar se perguntando o porquê desse pequeno incurso de história.
E o porquê vem agora...

Hoje em dia, provavelmente a frase que mais ouço e que a maioria das pessoas usam para justificar o que fazem é "me faz bem" ou ainda "me faz feliz". Me pergunto o que diabos é felicidade? Esse estado tão pleno que torna as pessoas inconscientes das consequências de seus atos a si próprias e aos outros, que as faz irredutivelmente tranquilas quanto ao mal que podem causar a si mesmas e aos outros. É absorto o modo como as coisas caminham enquanto as pessoas vivem essa busca frenética por felicidade. Freud dizia que o mal da humanidade é a busca incansável por felicidade, porque quanto mais buscamos a felicidade, mais distante ela nos parece. Eu sou uma pessoa feliz, eu a busquei e lutei por ela, mas eu não sou um tolo ignorante que acha que vai dar tudo certo na minha vida e que vou ser sempre feliz. Alguns campos da minha vida estão bons, outros têm de melhorar, e eu faço o que posso para manter assim, e conquistar o próximo. Mas eu não me importo com os problemas e nem fico desesperado porque as coisas vão mal. Eu me desespero por mudanças, por atitudes, por pensamentos, eu imploro isso às outras pessoas, e vou continuar fazendo, não porque vai me deixar feliz, mas porque eu pelo menos estarei fazendo a minha parte para o futuro de alguém...

Um grande teórico de arte e jornalista chamado Mário Pedrosa chamou essa busca incessante pela felicidade e divertimento de destruição da vida interior do homem da atualidade, que, segundo ele, não possui instante nem espaço para os embalos do sonho acordado, posto que os meios de comunicação em massa e a busca por divertimentos cada vez maiores nos privam de tempo para pensar em si mesmo e naquilo que fazemos. Nós simplesmente não nos perguntamos mais o que somos, o que queremos ser, e nem o porquê de fazermos e sermos o que somos. As pessoas pararam de pensar...

Eu só imploro hoje por isso, por pensar, por saber o que ouve, o que faz, o que pensa, o que é. Não se deixe levar numa onde de tarefas como se pensar fosse improvável de se encaixar em qualquer rotina. Isso é só uma desculpa esfarrapada para correr por aí sem ter sobre si qualquer responsabilidade, como se fosse uma criança assustada.

É isso...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

How good? How God?


Percebi com o tempo, o grande e poderoso tempo, coisas que me fizeram aprender, aprender como fazer, e principalmente, como não fazer. Eu aprendi com os outros, o que ser, e principalmente, o que não ser.
É esse o limite do ser humano. Não o aprender.
Todo mundo está aprendendo muito, se enchendo de sabedoria e inteligência, de frases e teorias, sobre como é o mundo e sobre o que fazer e ser.
Estamos todos até a borda disso, entupidos de coisas que deveríamos fazer, que poderíamos fazer, que íamos fazer, que íamos ser e, em especial, o que nunca faremos.
Esse tópico em especial gera uma sensação de desconforto geral.

As pessoas são igualmente cheias de coisas que nunca farão, e assim sou eu também, com um código de conduta próprio e com restrições.
O interessante no entanto, não se trata de se ter algo assim. Todos temos, é impossível fugir de si mesmo. O interessante é que a grande maioria dos problemas e defeitos das pessoas vem justamente disso. Do que eles não fariam nunca. Não porque eles não fariam, mas justamente porque é o que fazem...

As pessoas de hoje são tão boas quanto o mundo as deixa ser. Ao primeiro sinal de problema abandonam toda a honra e o código que têm e estão todos à um passo de devorarem uns aos outros, sem piedade, sem remorso.

É extremamente fácil dizer que nunca se fará algo quando não existe a oportunidade ou quando se está tudo bem. Interessante e unicamente verdadeiro é quando se faz algo no extremo, que vai contra o que é fácil e a favor do que é certo, independente das consequências.


As pessoas de hoje possuem ideais unicamente para expô-los em uma prateleira e atrair os outros a comtemplarem.

E só.


É isso, a maioria das pessoas é provavelmente um corpo que responde unicamente às forças externas, apenas se deixando levar sem impor sua própria vontade.

Não passam de um quadro bem pintado mas sem qualquer idéia.
Não passam de um conceito fraco.

Ser realmente bom está fora de cogitação, pois ser realmente bom é fazer aquilo que deve ser feito e no que se acredita certo, sem receio de desagradar ou de chocar, mesmo que difícil...

Dizer que não se faz algo sem ter a chance é fácil, difícil é deixar a chance passar.


Pense na quantidade de vezes que você já fez isso, em quantas vezes você "deslizou", cometeu um erro e se arrependeu depois. Pois eu tenho uma nova, é necessário mais que arrependimento para se redimir disso. Você prega uma coisa, faz outra, se arrepende, e diz que foi um deslize, que não sabe por que fez, que não é no que acredita. Pois eu digo uma coisa, é exatamente a sua falta de crença que te levou a isso. É exatamente a falta de consciência, o agir sem pensar e ser, que te levou a um erro, e que você se levou por ser mais fácil, sem reagir, simplesmente sendo levado ao encontro de uma estaca untada em óleo esperando seu corpo.
E você lá, sem reação, por pura vontade, por pura preguiça?
Estão todos parados, sem fazer nada, sem ser nada, esperando o próximo vento assoprar para decidirem para onde ir.

É isso que somos? Um produto do ambiente? Não somos agentes ao ambiente, e sim uma mera defecação de um corpo maior chamado Sociedade? É só isso? Simplesmente?
Eu espero mais das pessoas, espero uma ação verdadeira, ao invés de um espectador-participante, um passivo-agressivo que só dá a entender as coisas que quer sem nada fazer.

Nós temos que SER O QUE ACREDITAMOS CERTO, ou pelo menos PARAR DE FINGIR QUE ACREDITAMOS EM ALGO QUE NÃO!
Se é diferente, seja, se é igual, se reduza. Não passa de um conto de fadas dizer que acredita em algo e fazer outra coisa... Ideal é algo em que se acredita, pelo qual se luta e morre. Se você não defende algo em que acredita é porque você não acredita nisso. E é esse o grande denominador do mundo, pelo qual somos todos divididos.
Fazer o que se acredita ou ser levado pela maré.


É isso que proponho hoje, uma mudança de atitude. Adquirir caráter, ser o que se é, e mudar o que se vê necessário. Sem mentiras, sem poses, só o que se acredita de fato. E mais que isso, eu proponho a defesa do que se crê, do que se acredita. Não existem deslizes, existem desculpas... Os remos estão nos barcos, só resta o braço...

Wish - Nine Inch Nails

This is the first day of my last days
I built it up now I take it apart
Climbed up real high
Now fall down real far

No need for me to stay
The last thing left I just threw it away
I put my faith in God and my trust in you
Now there's nothing more fucked up I could do

Wish there was something real
Wish there was something true
Wish there was something real
In this world full of you

I'm the one without a soul
I'm the one with this big fucking hole
No new tale to tell
Twenty-six years on my way to hell
Gotta listen to your big time, hard line, bad luck fist fuck
Don't think you're having all the fun
You know me I hate everyone

Wish there was something real
Wish there was something true
Wish there was something real
In this world full of you

I want to but I can't turn back
But I want to, but I can't turn back

Wish there was something real
Wish there was something true
Wish there was something real
In this world full of you

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Paixão é algo pelo qual se mata e morre, algo pelo qual se vive e caminha, incerto, vai ao inferno e volta. Ao qual se abre mão de tudo e todos, conserva-se o ideal e mata-se o resto. Paixão é um fogo que destrói tudo a frente e absorve as cinzas que estam, é aquilo que poucos têm e menos ainda os que estão dipostos a ter. É o caminho pelo qual os outros te chamam de louco, incapazes, já que apenas eu que escolhi o caminho abri mão da minha vida para tal, então apenas eu posso decidir se estou ou não louco...


Atenciosamente, Chakal