"Quando sua realidade particular é desafiada, ela cede à verdade."

What if I say I'm not like the others?
What if I say Im not just another one of your plays?
What if I say I will never surrender?

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Appendage

Why would you think you're important?
Why would you think it matters?
When everything else proves otherwise? That's plain stupidity.
To go as far as to think you've made any difference after seeing the world crumbling under your feet not long ago is just ridiculous.
You've never touched anything, you've never made a difference. You've just sat there making up excuses and being a stupid person.
All this time, all you could do was make up this reality where you're trying to be a better person, but that doesn't make a single difference. There's no trying. There are only actions. And yours have done plenty of harm already, so why would you even feel like you deserved something better? Why would you ever think you deserve any presence?
You're sitting there in the middle of the night in your half-clean house watching people get eaten by animals on the internet while the world crumbles into dust around you.
Why would you cry when you brought it all upon yourself? Why would you care? You chose this path.
There's nothing left to feel.
It's past time you realise you're not important, nor different, and that you had it coming.
Trying was not enough, and it will never be.

terça-feira, 27 de maio de 2014

quinta-feira, 8 de maio de 2014

81kcal

Tudo que eu tenho em casa é esse mofo com pão anexado em volta.
Eu moro a algumas quadras do mercado.
Talvez eu devesse ir até lá gastar meus últimos centavos.
Mas o mundo acaba lá fora. E por acabar eu digo quase que literalmente. Chove forte.
Eu sempre amei chuva. Ela me faz sentir melhor comigo mesmo por estar trancado em casa sem fazer nada.
Eu sempre gostei de ver a água escorrendo pela janela, imaginando as vidas sendo arruinadas lá fora.
Infelizmente eu não tenho uma janela aqui, pra ver o mundo ruir.
Mas meu mundo acaba lá fora. Esse batente é o final de tudo que é são.
Lá fora, tempestade.
Eu sempre achei que haveria algo de reconfortante em ter esgotado todas as suas opções e recursos.
Mas as quatro paredes não ajudam em nada.
Te falarem do quão novo você ainda está não ajuda em nada.
Na minha mente eu tenho essas discussões enormes, onde eu digo algo como o que disse acima, e no instante seguinte me odeio e destruo por ter dito algo tão imbecil e infantil.
O próximo passo é se odiar por se sentir assim.
Antigamente o primeiro passo era odiar o outro por andar com uma perna após a outra e respirar.
A tempestade faz tudo turvo, é difícil saber o que odiar. Não existe interesse, não existe foco. É tudo um borrão, e tudo no que você consegue pensar é naquela maldita foto que um estranho tirou sua abraçado embaixo de um guarda-chuva e que você simplesmente nunca vai ver.
É tudo uma mancha, e os anos escorrem para o bueiro. Deus, que poeta de lixo.
Os anos escorrem como sangue em um matadouro, lindo, enquanto os animais dependurados agonizam lentamente com as gargantas expostas. Não é assim que matam os animais hoje em dia, mas a cena não deixa de ser maravilhosa.
Eu gostaria que a chuva fosse vermelha por um dia.
Quando foi que as pessoas ficaram tão burras?
Quando foi que eu consegui me encaixar tão bem nessa mancha?
Quando foi que o ódio virou uma presença? Esse é outro desses momentos de discussões mentais gigantes.
Sempre que a presença vem, o instante seguinte é um martírio por não existir mais motivo. Digo, o motivo para se odiar alguém é algo que eles são, e as pessoas são o que elas fazem. Você pode querer acreditar que você é o que fala a vida toda. Mas você é o que faz, no final do dia. Você não é o discurso ou o horóscopo, você não é a teoria da faculdade, nem seu livro favorito. Ideais só são ideais quando provados no fogo, a existência deles nunca vai se fazer com palavras, mas com ações. E quando você não os tem mais, se é que os teve, fica difícil ter o referencial necessário pra odiar o que quer que seja.
A raiva para de ser um combustível e começa a ser uma corda.



quinta-feira, 24 de abril de 2014

Death wish

O baque quando você toma um soco,
o primeiro da sua vida.
É difícil de acreditar que muita gente passa a vida inteira sem saber como é isso,
sem sentir ao menos uma vez como é estar em uma briga, sem nunca ter tido um olho roxo, 
nem se sentir desnorteado. Pequenos intervalos de poucos segundos cada, flashes do que está realmente acontecendo. 
Vultos. 
Frações de segundos com sua vista escura, 
desacordado, 
delirando,
a cabeça doendo, 
tudo claro, e no instante seguinte você está em uma rodoviária velha dando um beijo na senhora Morte,
difícil lembrar como sequer você chegou ali. 
Um grito de raiva, um sorriso, um, e você se rende e se perde,
os instantes passam, 
e quando menos se espera você vê palavras que queriam que fossem suas, 
evita socos que deveria ter tomado, 
mantém dentes que deveria ter perdido...
e tudo que você consegue fazer é morder seu lábio até sangrar e esperar a Morte chegar. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

uni

Um relógio no alto de uma torre de arquitetura moderna.
Eu nunca parei pra pensar que um dia eu ia ter que voltar a pisar nessa praça. Parece um exagero, já que faz um ano, não mais que isso, desde a última vez em que andei aqui. Mas não deixa de ser uma surpresa.

Acho que eu nunca parei pra pensar em nada disso antes. É, foi exatamente isso. Um ano e meio atrás tudo tinha um eixo. Um ano e meio depois, tudo que resta é essa escada, a vista para um céu que nem o mais drogado dos hippies conseguiria romantizar e um cenário que parece retirado do Cidade de Deus, só que com menos sol.
Quando foi que isso aconteceu? Onde foi que tudo tomou esse rumo? "Poesia" ruim tem limites.

Tentar expressar a frustração e o sofrimento que é colocar os pés de novo em um lugar tão desprezível é uma tarefa difícil. A dor que é sentir de novo que você não vale nada pelo simples fato de que o que faz não é nada. Pisar aqui é uma dor imensa pelo simples fato de que enquanto duas pessoas trabalham e se matam até velhos pra te ajudar, tudo que você consegue fazer é ser parte de um grupo de pessoas desprezíveis, que nunca vão se comparar ao trabalho duro dos dois ali atrás, enquanto você só joga tempo fora se arrastando no pior lugar possível, em uma cidade que já é cheia de lugares terríveis. As mentes mais brilhantes do país. 
É, tá bom...

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Your friends are here to help

He just stopped for a second. Heart rate as high as a hippie on Uni days.
He just wants to play around, be happy. 
He takes his medicine, follow his friends, he is going for a good time. At least that's what they told him.
It doesn't really matter, he is just a blank face.
...
Hum, that doesn't fit in.
His face is a mirror. Yeah, I think that this works better.
He is just a mirror. On the inside a silver plate, glass and a shiny outside, one would ask.
Man, it's hard to write things to people nowadays. Everything has to be described to exhaustion, and the theme, the reason, has to be there, for people dumb enough to just read it and say "Yeah, that's right" like a stupid 14 years old Marxist. Jesus fuck, the world is disgusting. And I'm old.

Let's go back to mirror face. The point here being, children, he reflects the shit out of everyone around him. By himself he is nothing, he is just a reflection of his friends and loved ones, just a shade of a real person, you know, one with flaws and qualities, that wants to improve or be rich, or something slightly more useful than the usual happiness. Who the fuck invented this word? "Let me ruin someone else's day by creating something they will believe and run after forever, never to find". That's the biggest dick move in recent history.
  
Where was I? Oh right, Mirror face. So yeah, by reflecting I mean that he acts as stupidly as he can, just making himself a fool and making excuses for it as he goes along, cause he is happy and everyone said that he could do it, cause hey, everyone does it... God, I had this argument a thousand times already. And I've wrote about it with every possible metaphor I could think of. Winds, wars, the flow of a river, swimming against it, standing your own ground while the world goes to shit, biting the hand that feeds, you go ahead and pick one. And still I find myself doing it again, cause yeah.
So yeah... fuck, I just ruined my text by explaining everything beforehand.  Jesus Christ, I need to learn how to write properly.
My point is, fuck you all, look at yourself and be a fucking person. And don't curse, it's wrong, our language is full of words that just hurt people and can't be used, for some weird reason. Cause apparently people nowadays are fucking hurt by words. Yeap. So yeah, remember that, the whole mirror face tale, don't curse, go to school and be happy. And take everything that you hold sacred, and shove up your ass. Right... I don't think I've forgotten anything. Until next time.


                                                     "Go With The Flow" - QOTSA

She said "i'll throw myself away,
They're just photos after all"
I can't make you hang around.
I can't wash you off my skin.
Outside the frame, is what we're leaving out
You won't remember anyway
I can go with the flow
But don't say it doesn't matter anymore
I can go with the flow
Do you believe it in your head?
It's so safe to play along
Little soldiers in a row
Falling in and out of love
With something sweet to throw away.
But I want something good to die for
To make it beautiful to live.
I want a new mistake, lose is more than hesitate.
                                          
                                             Do you believe it in your head? 

sábado, 28 de dezembro de 2013

domingo, 15 de dezembro de 2013

Now I'm Nothing

Você coloca uma lança por entre o coração da besta.
Você termina um dia de trabalho tendo feito tudo certo.
Você salva o universo de mais uma ameaça colossal.
Você derruba um regime ditatorial de décadas.
Você morre esmagado por uma empilhadeira numa terça-feira à tarde no intervalo de almoço.
Do outro lado do mundo, um casal comemora o terceiro aniversário do filho que eles não sabem mas vai morrer de leucemia aos 6.
Independente do que você fez, seus filhos não saberão nada sobre sua vida. Seus netos tampouco. Não interessam seus ideais, seus padrões, os principais momentos da sua vida, a época em que foi mais feliz. Ao final de um ano você vai ter sido esquecido por todos. Eles vão saber seu nome, alguns gostos, uma ou outra história importante ou engraçada. Mas sua personalidade, suas crenças, suas filosofias. Tudo isso vai ser jogado fora, como se nunca tivessem existido. Em 100 anos sua marca no mundo vai ser irrelevante. Completamente esquecido.
A notícia boa é que assim também serão seus erros. Todos os ideais que você jogou pela janela, os sonhos que não alcançou, que não foi forte ou bom o suficiente para alcançar. Todas as vezes em que seguiu ideias idiotas, em que contrariou sua própria palavra, todas as vezes em que foi aquilo que mais odiava. Nada disso vai importar mais. Você vai ser enterrado e apodrecer com todos os seus pecados. Se muito, você vai ser lembrado pelos seus pecados. Por ter espancado seus filhos, por ser um alcoólatra, por ter traído sua esposa, por ter sido racista, homofóbico ou qualquer uma dessas muitas coisas. Mas mesmo isso não é tudo que você foi e nem arranha a superfície da sua vida. E não vai passar de algo comentado duas ou três vezes para os seus netos durante os 50 anos de vida dos seus filhos antes deles encontrarem aquele caminhão no cruzamento em São Paulo. Não importa.
Você vai ter mil coisas para falar em seu leito de morte, vai se desesperar, querer gritar, velho, decadente, se agarrar em cada resquício de lucidez, incapaz de mover seus braços, sem forças para respirar normalmente, sem poder sequer falar, sabendo que você nunca mais vai ser nada, que aquele é o último instante da sua existência, sentir-se apagando aos poucos, sua mente nublada pelo inferno que te aguarda. Incapaz, fraco, desesperado. Tudo que ainda tinha para dizer e fazer, espalhado no asfalto ou apagado numa cama de hospital.
E fim.



(Isso é só pra eu me forçar a voltar a escrever, porque eu sinto falta. Eu sei que não tem novidade nem emoção, mas é só pra eu começar a treinar de novo)

Atenciosamente, Chakal.

domingo, 15 de setembro de 2013

Despair

Most people like to think that life is a fight, a struggle, that it is an episode of a big hit series where everything important keeps happening and you just go with it like an action start. That's the feeling that we get. 
There's no such thing as routine, boredom...
The thing is, life is not all of that. It is too many things, and different to everyone...but it all come down to the same model....
The truth is, life is mostly silent, quiet, something that moves forward slowly...that quiet unsettling feeling that engulfs you everyday a little bit more, that feeling that hurts just to think of. It's something that little by little surrounds you, swallows you into this slow-motion fall where you can see your death ahead, coming up year after year, and it goes for so long that you decide to ignore it, and pretend you will live forever, and that you have to embrace the falling and party over it while you can. But it doesn't change a thing...
There's no turning point in life, no rearranging of cast, no big plot twist. The main things in your life will happen and go away and no one will give a shit. Even your reaction about it will slowly go down into conformity and indifference.
Life is calm, bored, taking you down piece by piece. It is just a feeling that you get once in a while, that you're aging, that so much is gone, and you go crazy if you think about it too much. This mute scream, when nothing will ever happen, where nothing will turn out to take you out, because it's all the same out there. There's no hope or help, it's just this...this darkness, all around, this night and dawn, this feeling of struggle. In movies the hero will scream, fight, jump, roll, shoot, make his way through it. 
The pace is so different in reality, you will find yourself with a smile in your face while inside you're melting, screaming.
Outside, just peace.
You feel it growing, this despair. It consumes everything, and it does it so quietly.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

domingo, 1 de setembro de 2013

Mr. Self Destruct

You have this little believes, those things that you say you would never do, and things you would always do. It's all bullshit. You come to realize that after a while, you're just thrash like the rest of humanity.
All you deserve is hate and self-loathing.
Bad things happen everywhere, in everyone's life. You're no different.
You're not special.
You're just another one, another guy that used to say that would be something good. Another guy who fucked up.
In the end you smell the same as the rest of them.
You wish you could not write this, you wish you didn't have to be an emo guy screaming because life is not fair.
But it is fair.
You do it here, you pay for it here.
It's no big deal. It's not different. This is just another story. You're just past.

You were never anything but talk, so what's the big deal? You can keep talking. What do you have left? 50 years? 60 tops. Talk all you want.
You exercise, you don't drink or smoke. This will come in handy, it's nice to have this much time to torture yourself.
God, what am I writing?
It's not like anything will change. You will still be here, just another cry baby.
You're just back where you belong. You came out, saw that there's something nice out there, but you belong somewhere else.
You belong where there's disappointment and anger.
And it's alright I guess. You can just enjoy the memories of something great you threw away.
And enjoy the despair that it will bring everyday, to try and get somewhere, knowing that there's no place to go or stay, that there's no higher ground to reach, no dream to fulfill.
That's it. You can feel the wind. The ground is getting bigger.
You can already sense the days linger on, as you do the same shit over and over again.
And do you know the best part of it? You made it all by yourself. You believed so hard that you could be someone better, and that the things you said were true, just to come back to the bottom.
You brought it all upon yourself. Enjoy it. Try to be nice and live with it properly.
This vision of yourself right now disgust me. You're being a pussy...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

As I was saying

Chegou a um ponto de eu escrever o rascunho em inglês e traduzir tudo para português. Em inglês é tão mais fácil manter o ritmo. Mas eu escrevi os outros em português, esses também. Eu sou um fracasso haha

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Tem essas pessoas que você acha de tempos em tempos, que você apenas sabe, você consegue sentir essa coisa, esse algo em volta deles, em seus olhos. Essa merda está bem ali, e isso te congela, te faz ficar defensivo, te faz medir cada passo. Você fica atento para cada movimento seu, e tão pouco deixa de olhar os deles. Porque você é a presa aqui, e você sabe disso. Você apenas sabe. E eu não estou dizendo que isso é uma selva e que apenas lá dentro isso vá acontecer. É mais do que isso.
Na vida real, eu digo, você apenas conhece aquele cara ou garota que te deixa inquieto, alerta. Você sente algo estranho, sente que eles são estranhos, imprevisíveis ou até mesmo fortes. Todo tipo de coisa que te faz sentir inconfortável perto deles como um gato perto de um cachorro, e você tem aquele sentimento de que eles esmagariam sua cabeça como uma piñata em uma festa mexicana. Mas eles apenas não o fazem. Quer dizer, eles podem até fazer. Eles podem pegar um pé de cabra no porta-malas do carro deles e bater na sua cara até ela parecer uma pintura cubista.
Mas na maioria dos casos eles não vão fazer isso.
Não assim tão fisicamente pelo menos. Eles podem fazer isso em uma discussão, bombardeando cada linha do seu raciocínio e deixando corpos por todo lado, ou talvez trabalhando melhor que todo mundo em volta, mesmo no trabalho de merda da cidade. Ou talvez simplesmente sejam melhores que você, mais seguros, fortes ou algo que você simplesmente não consiga fazer como eles fazem.
O fato é, eles estão por aí. Eles são essas pessoas com o cérebro reptiliano funcionando mais do que o mamífero, que você sente que é o homem estúpido por inteiro, mas que pode ou não acabar seduzindo, comendo e abrindo sua noiva como um porco depois disso. Ou talvez aquela garota que te faz sujar as calças de medo, que você tem certeza que iria te fuder até você não ser mais nada e então arrancar sua cabeça como se abre uma garrafa de água para beber suas entranhas junto com um cigarro pós-sexo. Esse é o tipo de pessoa da qual estou falando.
Algumas vezes eles vão parecer imbecis, e provavelmente serão, mas algumas vezes eles simplesmente têm o controle de toda merda que acontece. E as pessoas amam isso. Amam essa agressão dentro dos outros.

Quanto você não pagaria para ver alguém arrancando uma cabeça de verdade com um machado?

Normalmente as pessoas não admitem isso, mas violência simplesmente te excita. Não é?
Você daria qualquer coisa para foder alguém no meio de uma pilha de corpos frescos. Dentro de uma piscina de sangue e tripas. Algumas vezes as pessoas simplesmente não admitem o quanto eles amariam asfixiar alguém e não parar o sexo enquanto o outro não atingisse zero ponto cinco cinza na escala cromática  de um defunto. É simples assim. Esse garoto trabalhando no caixa é assim. Uma olhada por alto e você consegue dizer que ele iria todo Ted Bundy para cima da sua filha.
E tudo que eu vim fazer nesse supermercado foi pegar uma pasta de dentes nova para a minha casa.
Tudo que eu conseguia pensar é quando foi que as coisas ficaram assim? Quando foi que passamos a precisar de tanta coisa assim? 24 horas de proteção, 4 substâncias para clareamento dental, mais proteção para seus dentes, hálito suave, dentes mais brancos, fluór em dobro. O quão orgulhosos nossos ancestrais ficariam ao saber o quão brancos nossos dentes seriam caçando um mamute, enfrentando um dragão de komodo gigante com a pele limpa pelo melhor sabonete para o rosto. Quando foi que passamos a precisar de um sabonete diferente para cada parte do corpo?
Quanto tempo eu vou ter que esperar por aquele apocalipse zumbi? Quanto tempo até eu não ser culpado por meter uma bala em cada uma das pessoas na fila desse caixa, e conseguir dois minutos de prazer ao enfiar meus dedos nos olhos desse maníaco até sentir o cérebro dele com os meus dedões.

É, eu sei, eu só estou com ciúmes dele.



Atenciosamente, Chakal

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Grinning

There are those days, when we wake up feeling angry.
That's like a fuel...
you wake up angry,  you change clothes, avoid every single person in the house, get a bus, go to work. 
You breath deeply, take your time, sit in front of your computer and try not to smash your boss fingers with the keyboard, until they are all crooked and broken. You try not to murder every client that come over to ask you where is the bathroom.
You take a deep breath.
Walk outside, light up a cigarette, try not to think how miserable you are. 
You feel your bones creak. How long since the last time you really used your muscles?
Humans could kill things with their bare hands.
A full grown man could crush another man's skull under his boot like glass, his eyes popping out like a Christmas gift. He could run for miles, out in the snow, grab a deer and kill it with a stone or a spear. 
And you can't even face a couple of stairs to get there. 
You hardly walk, you just drag yourself by the sidewalks hoping you can get home soon to lay your fat body down and wait Death as it comes. 
They say everyone is looking for happiness but where the hell is this shit to be found? I'll tell you a little secret.
There isn't happiness any-fucking-where. Some things in your life will get right, some will not. That's life. There's no full happiness, Even if there was some happy place or formula, you wouldn't be able to seek even your food if it jumped around, what to say about the WHOLE FREAKING HAPPINESS? It would outrun you like a rabbit against a turtle. 
And that's the world. Those people you work to, those people you don't even know walking on the street, those old people in the asylum, your uncle and aunt, your cousins, your friends, your girlfriend, all of them, they are just waiting for a chance to throw you to the wolves. And I mean it. Torture them and they would give your soul for a single minute free of pain. And not only that. Put them into some sort of situation where they will get hurt, emotionally hurt if you like to be a faggot, and they will tear you apart like a steak into a meat-grinder. If you want to survive in this world you have to be strong, and to be your only hope, your only help and support. Your legs are all you have to put you up, walking and running. 
So don't fuck around.
We are a generation of fat lazy assholes that don't know how to fight for anything. 
We deserve to be extinct.
It's a jungle out there, it has always been. It's not the capitalism, the market, the society or anything. 
It was like that before it. If you don't want to kill your dad, then you can't be alive.
Every single person you know will throw you to the wolves, so you have at least to be one of those wolfs, instead of a crying lamb just waiting to be sacrificed. 
It's a game out there, it has always been. If you don't want to play, to get your hands dirty for what you want and believe, if you do not wish to carve your teeth into someone else's flesh, then you don't deserve to be alive. 
You should be sucking your mother's tits, hoping that she'll keep you fed for long enough before some predator comes and rip her heart out and crush your head with his boots. 
Just wait for it...

sábado, 22 de setembro de 2012

As I was saying...

Que vontade de escrever esse de hoje em inglês...mas depois vão me chamar de elitista colonizador de novo, melhor não.

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Você vê as pessoas andando por aí e as julga, olha com seu olhar superior e pensa "pobres coitados, macacos de terno, andando, fodendo e comendo, sem pensar em nada importante, sem propósito na vida. Se eles ao menos soubessem a verdade". Mas eu tento olhar as coisas do lado positivo, ver o lado bom!
Você olha esses bossais andando na rua e vê uma pilha de excremento que não se relaciona em nada com você. Eu vejo uma pilha tão complexa, com detalhezinhos mínimos. Eu vejo em cada pessoa uma pilha infinita de desejos, anseios, teorias, manias. Cada pessoa é um poço de complicações infinitas, única em cada aspecto e combinação possível, tudo embalado dentro de uma caixinha linda de carne, vísceras e merda. E muito do que cada um tem é exatamente o mesmo que você é. As pessoas são mais parecidas com o que desprezam do que pensam na maioria das vezes, graças a algo lindo e belo chamado hipocrisia. Apontar um erro que você vai cometer no instante seguinte não é exatamente classudo.
Cada vida de cada ser humano nesse planeta por si só daria um livro, uma história inteira cheia de detalhes interessantes para serem contados. Cada pessoa nesse mundo é única, impossível de ser perfeitamente copiada. Uma bola gigantesca de individualidades, com traumas, vontades, ideais e discursos em combinações infinitas. 
Você consegue imaginar isso? Cada pessoa andando na rua à sua volta é uma compilação única de gostos e características que nunca vão se repetir completamente, com experiências que moldaram e transformaram ela no que ela é hoje, seja ativa ou passivamente. Você consegue olhar nos olhos de cada uma dessas pessoas e ver o quanto elas são especiais? O quanto elas são únicas enquanto indivíduo, e especiais, com cada um dos seus sonhos mais distantes, e suas lutas diárias. Não é incrível? Ver essa combinação irrepetível andando para lá e pra cá, cada pessoa que passa por você uma coisa única e com potencial para ser algo que ninguém mais poderia ser, lutando contra cada vento forte, ou se deixando levar por cada brisa. Eu acho algo de mágico nisso, o indivíduo sobrepondo ou se rendendo frente a cada obstáculo, vivendo cada dia, transformando a vida das pessoas em volta e sendo transformado por elas, esse ser moldado perfeitamente com todas as esquisitices, seus medos, objetivos, esperanças, feridas e emoções, subitamente esmagadas por uma pilha de ferragens e vidro viajando sobre rodas a 150 quilômetros por hora. 
Não é maravilhoso? Toda essa complexidade sendo levemente pressionada contra uma parede por um caminhão desgovernado, desaparecendo do mundo em uma esquina, uma distração e blam.
Para mim é quase um milagre, uma sinfonia perfeita, sentir a última respiração de uma combinação infinita e impossível de repetir esvaindo sob a sua bota.
Colocar o cano gelado de uma arma dentro da boca dessa criação divina, e sentir a beleza impossível de copiar se espalhando em uma entropia de miolos e pensamentos sobre o asfalto. Puxar o gatilho é quase uma obra de arte...
Você pode render essa pessoa, mandar ela fazer seu último pedido, e tentar apreciar o que passa na cabeça dela nesse instante. Nós somos incapazes de saber como é essa sensação, esse último instante antes de tudo que você é desaparecer, essa pressão sobre você e tudo que você é e nunca mais vai ser. É impossível pensar como é deixar de existir, deixar de ser. É desesperador não? É maravilhoso. Você poderia deixar essa pessoa falar seu último pedido, e você desmancharia em poeira antes de ela terminar de falar tudo que queria. Seus ouvidos ensurdeceriam em sangue, pedido após pedido, vontade após vontade. Nada melhor que essa terapia.
Você coloca a arma na parte de trás de uma pessoa, perto o suficiente para ela sentir o cano quente. Faça uma fila, uma pessoa após a outra. E deixe cada uma fazer seu pedido em voz alta. Encha a cabeça de cada uma dessas pessoas com o desespero dos outros. Deixe que cada um ali seja o melhor amigo um do outro, torne-os confidentes. Faça-os chorar e implorar, faça-os abrir e mostrar. Não deixe que vejam a arma. Coloque-os lado a lado e faça-os cair. Tente imaginar o desespero de cada um, sem saber quando sua vida vai acabar. Imagine a sensação, a agonia de cada um, pensando quando é que o tiro virá, e como vai ser morrer. Tente. Imagine como seria, não saber quando é que a arma está sendo apontada pra você, e que a qualquer instante, qualquer segundo, blam. Tudo que você foi um dia agora é arte abstrata espalhada pelo chão. Como será que é?
Um instante você é uma pessoa, recheada de maravilhas e no seguinte você é um objeto deixado no canto de uma calçada no passeio de sábado à tarde. 

Não é a sensação mais opressora possível? Sentir isso deve ser a coisa mais libertadora do mundo. Não ter mais esperança. Ver todos seus sonhos acabando ali. Tudo que você se tornou, lutou para ser, sofreu e se tornou, tudo que te arrancaram e tudo que te deram, acaba ali. Não ter mais vontades, não poder ter mais vontades. Nada consegue ser tão libertador.
Quando é que vai ser?

É por isso que eu não deixo meu coldre travado. Não preciso de mais do que um instante para um maluco qualquer me atacar por trás com um pé de cabra, e se esse instante chegar, eu quero ao menos saber que minha vida não foi terminada por causa de um maldito botão, e sim porque eu fui burro o suficiente para não perceber os sinais.

Pensando nisso agora, já contei como foi que o pé de cabra surgiu nessa história toda? Pois bem...

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Eu juro que não vão mais ter esses finaizinhos abertos ridículos de novela das 8. Esse foi o último.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Just do it

Quarto andar. O primeiro andar tem uma espécie de sacada, na verdade a área que serve de teto pra portaria e pro celeiro entre portas de vidro que separa o prédio da rua. Mas com uma corrida antes dá pra passar direto para a rua em um arco no 4º andar. Acho que só um impulso direto da janela daria conta do recado.
4 andares. Se o Pé direito mínimo é de 3, 50 metros, mais a Laje de 12 cm, um pouco mais, um pouco menos, então cada andar teria de 3,62. Algo em torno de 14 metros. 90 % das quedas são letais acima de 7 metros se você aterrizar com a sua cabeça no asfalto macio e fresquinho da manhã. 

A janela é larga, eu consigo um salto pra frente e daí pra baixo é só virar um pouco o corpo e bum, cabeça no chão. 
Não deve ser difícil.
Mas exige coragem. 
Eu não tenho tanta assim.
Mas olhar para a janela não torna nada menos tentador.
Já pensou o quão insignificante a gente consegue ser? 
Claro que já.
Todo profeta, filósofo e intelectual de peso leve já. É a base do pensamento "intelectual". Essa lamentação idiota sobre o mundo cruel e frio.
É.
Você tá andando tranquilamente e de repente um caminhão de lixo perde o controle e atravessa seu ônibus no meio, você capota, outro carro bate nele e pronto, ferragens pra todo lado. Em um instante você está reclamando da faculdade e no seguinte você está em meio a ferros, barras, pedaços de gente e vai presenciar uma cena que você nunca achou que fosse. Se não morto, você pode ter se machucado de um jeito bacana. Em um instante você está inteiro, e no seguinte você vai ter como maior desafio limpar sua bunda sem dois dedos na mão, ou atravessar a rua com um olho só, ou se arrastar até a janela quebrada mais próxima com um pedaço da catraca atravessado na sua cocha. Um ferimento em alguma das maiores artérias do corpo te mata em minutos, e você reclamando da faculdade hoje pela manhã.
Você pula do 4º andar, não morre porque cai de costas, em pé ou qualquer outra coisa. Você vai ter que viver com as sequelas, ser um retardado, manco, paraplégico, e ainda ter que aguentar terapias e mais terapias, perguntas e mais perguntas.
Ah, o inferno das perguntas. As malditas perguntas. Psicólogos, aconselhamento familiar, pai, mãe, tios. 
Daria pra tornar isso divertido, pensando agora. Todo mundo te enchendo o saco, e se preocupando com você e com como e quando você vai tentar se matar novamente, e todos te dizendo o quanto sua vida é boa, o quanto sua faculdade é boa, o quanto você é novo, quantos amigos você tem e o quanto você é importante na vida de todo mundo. Você pode se divertir com essa besteira, pode entrar para um banheiro em uma festa familiar e ficar lá por 30 minutos, até alguém arrombar a porta e você sentado na privada com cara de surpreso. Ou você pode soltar frases entre as coisas corriqueiras como "se isso der errado eu me mato", "a vida não vale nada mesmo né?" ou "essa faca tá bem afiada?". As pessoas se torcem nessas horas, elas não sabem lidar com tanta pressão assim. 
A parte mais divertida de se matar com certeza é a culpa que você vai deixar na vida de cada filho da puta que se importava com você e fez algo de ruim mesmo assim. A sensação lá dentro de que cada imbecil que agiu como não devia foi responsável por isso. 
Mas você não vai pular. Você vai entrar no ônibus e ir pra faculdade, e reclamar do seu serviço, do seu chefe, e chorar, e cantar e sorrir e se matar do jeito mais covarde possível, lentamente. 
E os outros vão te ajudar.Todo mundo vai estar lá pra te tirar um pedaço fora, um pouquinho por vez, uma conversinha amigável, uma crise imbecil, uma fofoca idiota, até você estar tão desiludido que qualquer merda boa que acontecer na sua vida vai ser uma nova conquista, porque você se arrasta por aí, porque te quebraram suas pernas, porque alguém dirigiu um caminhão de lixo pra dentro do ônibus que você realmente queria pegar, e agora você é um resto do que foi, um lixo sem perspectiva. E quem pode te culpar?
Mas não, você não vai se matar. Você não tem tanta sorte.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Chapter One

Esse texto seria o capítulo 1 daqueles dois outros textos de ficção focados naquele policial que eu escrevi, que do primeiro até gostei, e que com o segundo tenho vários problemas, ou ao menos tinha, antes de escrever esse. Eu precisava revisá-lo e sintetizá-lo bastante. Ele está desconexo e sem ritmo, mas eu precisava mais do que isso postar algo, então aí está.
Também estou postando os dois outros caso alguém não tenha lido e queira ler após esse.
Desculpem a péssima qualidade.

http://dasheulen.blogspot.com.br/2012/04/tive-uns-6-textos-prontos-na-cabeca-e.html

http://dasheulen.blogspot.com.br/2011/11/remains-dead.html

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Eu acordo.
Minha cabeça parece pesada. 
É como se um bando de 'ninguéns' tivesse me derrubado a pauladas e me chutado repetidamente.
Oh, acabei de me lembrar, eu fui mesmo.
Sabe aqueles dias em que você acorda com o hálito tão ferrado que só de sentir o gosto dele dentro da sua boca já te dá náuseas? Acordar com o cheiro de uma sala banhada a alvejante é basicamente a mesma coisa, com a exceção de ser pior. 
Meu corpo inteiro dói, e meus braços estão dormentes, provavelmente por que minha idade já não é mais a mesma de 10 anos atrás. Outro bom motivo pode ser o fato dessas correntes que unem gentilmente minhas mãos estiradas acima da minha cabeça. 
Eu não consigo sentir muito bem o meu corpo. Tem um desconforto gigante em não saber se suas pernas e braços estão dormentes ou permanentemente paralisadas pelas carícias de seus agressores. Eu consigo mexer uma outra coisa, mas não consigo sentir nada perfeitamente em meio à quantidade de dor espalhada uniformemente em mim.

Minha visão demora um pouco a se adaptar à escuridão da sala. Maldita rodopsina.
Rodopsina haha, é engraçado. Porque pensar em algo do tipo quando os próximos instantes prometem ser os últimos da sua vida, e você tem aquela sensação forte de que eles serão recheados de dor? Lembrar do colégio agora não vai ajudar muito.
Eu ouço o som de algo de metal batendo em algo de metal. Esclarecedor não?

Mas assim que consigo colocar meus olhos no sujeito percebo que se trata de um pé de cabra batendo no corrimão da escada enferrujada de canos soldados que provavelmente dá no andar inferior de uma fábrica velha ou algo do tipo. As prefeituras do mundo todo deveriam obrigar qualquer fábrica, depósito ou galpão a implodir sua infraestrutura quando elas declaram falência ou coisa do tipo. Quantos corpos, sequestros, espancamentos e assassinatos não acontecem nesses lugares? Parece ser a última moda para os serial killers, e está por toda parte. Mas bem, fora as leis imobiliárias deficientes, minha situação também não é das melhores, e o pé de cabra aumentando de tamanho rapidamente na minha direção não parece um sinal de qualquer melhora, e ...

Calma...

Antes disso, tem algumas coisas que eu acho bom esclarecer. 
A primeira delas é que, como podem ver, eu sou a próxima vítima de um canalha que não gosta nem um pouco de mim. E eu digo próxima porque esse cara já matou uma quantidade considerável de vezes. Mas nós falaremos dele posteriormente.
A segunda coisa é só um pedido de desculpas. Eu sei que os flashbacks estão em moda e foram amplamente utilizados, muitas vezes de modo ridículo e ineficaz pelo cinema e literatura das últimas décadas.
Mas ainda tem algo de bacana em contar algo, cortar em um ponto crítico como, digamos por exemplo, um pé de cabra vindo em sua direção, e voltar contando a história até ali. Tem algo de muito legal naquele momento em que você diz, "AHÁ! Então é aqui que tudo começou". Posso estar enganado, mas se estiver, agora é tarde. Então é isso, mantenha na cabeça o pé de cabra ensanguentado vindo em minha direção, e voltemos um pouco na história.

Eu trabalho para a força policial de uma cidade grande. Não interessa qual. Toda cidade grande é igual.
Ela respira do mesmo jeito em qualquer lugar do mundo. As pessoas adoram camisetas com "I Love NY" ou qualquer outra grande cidade do mundo, mas na verdade elas não amam esse lugar. Ninguém ama um lugar pelo simples fato de um lugar ter uma infinidade de pessoas de todos os tipos, e de ter todo tipo de lei, idiota ou não, sendo regida por pessoas, algumas idiotas, outras mais idiotas ainda. Toda cidade grande consiste da mesma coisa, um bando de prostitutas, grátis ou pagas, de cachorros em busca de procriação, ratos gigantes, jacarés de esgoto e merda, uma grande e odorosa pilha colossal de merda. É disso que toda cidade consiste. Dubai, Tokyo, Nova York, São Paulo, Cidade do México, toda cidade grande é a mesma.
E a vida de todo policial em uma dessas cidades também é a mesma. Você aborda cada carro à espera de um tiro, e tem atrás de si toda uma fauna de desgraçados te odiando. Traficantes, prostitutas, usuários, desmontadores de carros, assaltantes, políticos, civis e ativistas, todos esperando uma única chance de arrancar fora seu couro.

Cidades grandes respiram e cagam do mesmo jeito em qualquer lugar do mundo. E a merda delas vaga pelas ruas. Os grandes pensadores adoram dizer que a cidade oprime o coletivo, tornando as pessoas cada vez mais solitárias. Sabe essa merda que poetas de botequim adoram recitar para se sentirem especiais, parte de algo maior? Pois bem, essa baboseira cai por terra no instante em que você se coloca de fora dessa massa que se arrasta pelas ruas movimentadas de uma grande cidade.
Você vê todo tipo de lixo vagando por aqui, mas nada, NADA, é pior do que ver esse tipo de lixo em grupo. Seja um grupo de mulheres tagarelas e sorridentes, seja um bando de mendigos em frente a um supermercado de quinta, seja um emaranhado de playboy's bombados desfilando com suas camisetas coladas e seus peitos depilados. O coletivo não ajuda em nada. Na polícia nós recebemos treinamento extensivo sobre como lidar com grupos de pessoas, sobre o que fazer e o que não fazer, e sobre as atitudes típicas de idiotas em grupo. O coletivo não serve para nada. Ele engole o indivíduo e transforma qualquer pessoa com discernimento em um babuíno imbecil. As qualidades pessoais, os medos e o raciocínio são substituídos pelo caos, a desordem e a inconsequência. A explicação para isso é bem simples. Já viu essas brigas de grupo, revoltas, confrontos entre policiais e estudantes, torcidas organizadas e coisas do tipo? Não precisa muito tempo para um idiota arremessar um tijolo em uma situação dessas, e esse idiota jamais arremessaria um tijolo contra mim se ele estivesse sozinho. Ele levantaria os braços, colocaria as mãos na parede e aceitaria feliz da vida uns chutes nas pernas por ser um completo retardado. Mas em grupo, todos são predadores. O grupo tira o sentimento de culpa, dilui ela entre o grupo, e trás a inconsequência. Massas inteiras são capazes de matar pessoas sem sentir a culpa que sentiriam ao fazê-lo individualmente. E é para isso que inventaram a metralhadora giratória m134 e o o lançador m79. Controle de massa é algo necessário como higiene bucal pela manhã. É esse tipo de comportamento que me enche de esperanças da catástrofe e colapso da nossa sociedade.
Ao menor lampejo de uma ação que não tenha consequências e repressão o ser humano se torna um animal, agindo sem raciocinar. Por mais falhas que sejam, as leis são a única coisa que impedem certos caras de estuprarem, matarem, roubarem e pegarem o que querem. É o que me impede de entrar em um shopping cheio e descarregar toda a munição possível, idosos, mulheres e crianças primeiro.


A minha humilde concepção diz que cada cabeça humana nesse mundo merece uma bala alojada em algum ponto da vida, mas quanto mais cedo melhor. Infelizmente a organização para a qual eu trabalho discorda disso. Nossa função primária é coibir ações criminosas pela simples presença. Na minha cabeça coibir um crime deve envolver ao menos 6 disparos em uma caixa torácica suspeita entre as vielas B e a 44.
Mas onde foi que paramos? Ah sim, o pé de cabra. Mas tem mais coisas a serem ditas antes. Nesse ritmo sua bunda gorda vai ficar presa nessa cadeira, e sua mão esquerda vai se juntar permanentemente a esse seu queixo disforme. Mas bem, eu dizia...






sexta-feira, 20 de julho de 2012

Break

Você reclama da política, da violência, educação, saúde.
Eu já disse isso antes.
Você reclama da corrupção dos políticos, unicamente por possuírem mais poderes que você.
No lugar deles você faria o mesmo.
Somos uma espécie corrupta por natureza.
Egoísta.
Aceite isso.
Eu só vim aqui rir na cara, na cara de cada um que financiou toda a merda do mundo.
Você mesmo, que compra, bebe, fuma, usa.
Você que acha que vai fazer alguma diferença com uma folha natural, ou com um livro de 100 anos atrás.
Você que acha que filosofia é algo além de palavras, e que filósofos e políticos são muitas vezes heróis.
Entenda, pessoas fazem o que fazem pelo ganho próprio.
E só.
Nada além de você, seu interesse no acasalamento e a prole do mesmo.
Você não é nada, e você reafirma isso toda vez que defeca pela boca.
"políticos são corruptos""a culpa da segurança é dos políticos""a polícia é violenta""o tráfico precisa acabar"
"tem gente morrendo de fome""a guerra é culpa deles".
Você é o culpado.
Você é o que chama de alienado, de vendido ao sistema.
Você é o podre, o fascista, o financiador do sistema capitalista.
Cada centavo gasto em álcool, roupas, acessórios, drogas, cigarro, carros. Cada centavo vai parar na mão de algum engravatado.
E a culpa é sempre dele.
Não se iluda ao achar que o tráfico sustenta o traficante. O traficante é apenas mais no sistema imenso.
O seu dinheiro lindo da maconha, de qualquer maconha ou outra droga consumida até hoje vai parar no bolso de algum(ns) político(s) no país. Você financia a merda toda, não só pelo tráfico, mas pela política em si. Vê? Seu dinheiro dá a base para que esse político continue no poder.
Álcool e cigarro são grandes potências indiretas para o ramo de pesquisa bélica e química-militar, todas financiadas por grandes políticos. Eu não tenho problema algum com gente morrendo do outro lado do oceano ou aqui na esquina. Mas você enfia isso em cada discurso seu.
Você reclama do quanto a educação sofre no país, do quanto os políticos não investem nisso, mas você esquece que é você que mantém eles no poder. E vai continuar sendo, porque a maconha não é a força do tráfico, porque o álcool não é droga, o cigarro é para o stress, e você é um bosta que só sabe falar.
Eu não estou dizendo que eu não financie essa merda. Eu provavelmente financio menos, com o computador montado em um país pobre, o mouse, a roupa, o tênis de corrida, os óculos escuros. Mas a diferença entre mim e você, é que eu não reclamo dessas coisas. Porque eu sei de onde os políticos saíram. De famílias como a sua, escolas como a sua, faculdades como a sua, e vizinhanças idênticas à sua. E à minha.
A diferença, de novo, é que eu não reclamo. Eu sei o quanto eu sou culpado. Eu não fico por aí reclamando de algo que eu faria no instante que me fosse dado o poder.
A diferença, pela última vez, é que eu admito, enquanto você fecha os olhos, dá um trago, e finge que as coisas que faz não são uma merda muito maior do que o consumismo que tanto critica, e a educação falida. O que você não percebe é que somos todos sócios nessa história, mas quanto mais se investe, maior o retorno, e consequentemente a responsabilidade. A minha responsabilidade é tolerável sem eu precisar mentir pra mim mesmo, mas eu não gosto da venda nos seus olhos.
Ela ficaria melhor como uma mordaça.


(sem correções, sem revisões, de uma vez, sem apagar, sem ler, sem pensar, sem merda nenhuma. Porque eu sou impulsivo, artístico e tudo mais? Não, porque eu sou um preguiçoso do caralho mesmo, qualquer outra coisa é uma desculpa esfarrapada, e eu odeio desculpas)

domingo, 17 de junho de 2012

Hunter

De acordo com o meu horóscopo de hoje, eu devo controlar minha agressividade...

Os olhos ardendo, apertando-se vez após vez, se segurando em meio à multidão...
Caras, rostos, risos, vozes, gargalhadas, gritos, e você apertado em meio a isso, 
como um adolescente de merda,
O sangue correndo, fervendo, vez após vez, dentro de você.
Cria jogos, distrai a mente com besteiras, tenta espantar o tédio com atividades mil,
se enche de trabalhos e obrigações, de compromissos e amizades,
cursos extracurriculares e estágios de férias, escolas de línguas e palavras-cruzadas.
Fuma, bebe, transa, joga, corre.
Corre.


A mente definhando, coçando, larvas por toda parte, devorando sua mente pouco a pouco.
A vontade de gritar, as pernas inquietas, o ranger de dentes, os dedos inquietos, 
a impaciência, a agitação, a respiração cada vez mais acelerada.
TV, dormir, comer, foder, fumar, beber, comer, escrever, desenhar, correr...
Correr.

O corpo inquieto, seus músculos rasgando por dentro, seus braços se contraindo, suas pernas se mexendo,
coçando, apertando, arranhando, punhos se abrem e fecham. Os olhos ardendo, a vista desatenta, o caminhar distraído, a reação lenta.

Não.

Caçar...
É isso.
Correr, atrair, desviar do mundo atrás de um objetivo tão ágil quanto, reagir em segundos a tudo em volta, pular, se agachar, se agarrar, se levantar, correr, se armar, dedicar cada simples pensamento
ao cumprimento do dever mais primitivo, mais repugnante, mais puro...
A respiração forte, os ouvidos zunindo, o batimento audível, a pressão, o ar se desfazendo, 
o vento, cada desvio, cada milésimo de segundo se esquivando de tudo à volta, 
sua mente pesando uma tonelada, sem se dedicar à arte, filosofia, religião, vaidade, ciência, mas apenas 
à presa, a cada novo instante entre os obstáculos, seja caçando ou caçado. A pressão, o desespero de sobreviver, a vontade, o sangue, arrancar pele e carne, quebrar ossos, lutar até o último instante, cada novo movimento uma nova infinidade de escolhas, explodindo em um milésimo de segundo como uma granada contra a sua cara, decidindo vida e morte, arrancando cada pedaço, cada gota de sangue, cada pedaço, te fazendo pagar por cada pensamento e escolha errada, cada reflexo fraco, cada falta de preparo, físico, mental, cada incapacidade. 
Sobreviver.
É isso,

Rasgar sua mente, dar espaço apenas ao que interessa, despedaçar cada inutilidade, esvaziar completamente tudo, deixando apenas aquele instante rosnando contra seu ouvido, o calor contra seu rosto, 
sendo devorado vivo enquanto você se mantém calmo, admirado,

interessado.

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Eu definitivamente não nasci para escrever, todo texto que eu vejo meu parece um poema de aluno de ensino médio. Sem mimimi, mas minhas escolhas estão péssimas para as palavras.
Azar de vocês.

Atenciosamente, Chakal.


http://www.youtube.com/watch?v=l-GwX5x1cio

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Because Fuck you, that's why...

Uma vez só. Você não é o lugar onde estuda, o trabalho que tem, as roupas que veste, as festas nas quais vai, as bebidas que bebe. No entanto você provavelmente é bem próximo das putas que come e os retardados pra quem dá. Você provavelmente é burro(a) o suficiente para postar uma dessas tabelas que mostra o quanto sua faculdade é boa, suas roupas são caras, seu trabalho é bom e o mundo é injusto com os outros. Eu entendo que muito disso é fruto de trabalho duro, mas isso não quer dizer que você tem que ficar tentando mostrar pra todo mundo algo que não existe. Digo, minha faculdade é boa, e mesmo assim eu conheço muita gente retardada que passou lá sem grandes dificuldades. Jesus, se eu estou lá dentro, qualquer aluno entra. E se a minha faculdade é boa, diabos certos que não é por minha causa, e nem a sua por sua causa. Você não é a faculdade que faz, nem nenhuma porra dessas. Você é o que pensa, e principalmente o que faz. Você não é o que diz que pensa, não é os amigos que tem no facebook, nem o quanto reclama do mau uso da internet dos dias de hoje, como eu estou fazendo agora. Você deve ter pelo menos 15 anos, e qualquer pessoa acima disso deveria estar suficientemente confiante do que é e pensa e parar de tentar provar isso para os outros. Ninguém dá a mínima pra nada além da própria vida. É o processo natural. Você não liga pra nada além de se acasalar, comer e se preocupar minimamente com a sua prole... não tente parecer mais do que isso, ninguém liga. E pare de dar desculpas. Com mais de 15 anos, você é responsável pelos seus atos e erros, e estar mal não é desculpa para ser ainda mais burro, só porque algo deu errado. De novo, ninguém liga, ninguém liga pra mim, pra você, ou pra quem quer que seja. Não seja uma criança mimada que precisa de atenção. Atenção está em falta de estoque, e alguma hora você vai precisar sair atrás da sua própria comida, então por favor para de chorar. E vai se fuder.

domingo, 1 de abril de 2012

All the Love in the World

Tive uns 6 textos prontos na cabeça e discutidos comigo mesmo para escrever, e não escrevi nenhum. Obviamente que eu esqueci todos. Aqui vai um que ainda precisa ser lapidado mas eu preciso escrever algo.


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" E como você se sente com relação à morte do seu parceiro?"

Como eu me sinto? Eu não sinto nada. A única coisa que eu sinto é raiva por não poder matar o filho da puta mais uma dúzia de vezes.

"Eu entendo se você não quiser falar sobre isso."

Sério, que diabo faz um psicólogo?
Se eu contasse tudo que aconteceu aqui, ele me internaria? Mandaria me prender? Ou será que não? Será que tratar pessoas doentes seria um absurdo? O que será que esse cidadão pensa das coisas que eu faço? Quantos tiros esse cara já deu? Será que ele diria que eu sou louco?
Com certeza muitos de vocês eventualmente dirão isso de mim.
E isso me incomoda. Não é nada grave. Não me incomoda como quando você cai de um prédio de sete andares e suas pernas vão parar na sua nuca, quebradas, sua patela exposta a uns três metros do seu local de repouso e com a cartilagem do seu joelho irrigando o chão a sua volta. Não...
Me chamarem de louco incomoda do jeito que um pernilongo te incomoda quando você tenta dormir. Não é nem pela picada. Sugasse a porra do meu sangue todo, mas fizesse em silêncio. Esse maldito zunido de tempos em tempos perto do ouvido... Não é um grande incômodo, mas você daria a alma de um tio ou um primo de segundo grau para parar o zunido.
Eu sou tão são quanto as coisas que eu já vi e fiz me permitem ser. E meu desempenho é bem satisfatório comparado com a população média quando exposta a tripas, miolos e um pouco de sangue aqui e ali.
Eu não tenho vocação, mas se eu fosse professor, eu colocaria na tabela diária educacional uma boa dose de violência. Coisas rotineiras, vítimas de acidentes de carro em meio as ferragens, atropelamentos, ferimentos a bala, esfaqueamentos e um ou outro caso raro de necrose por Krokodil. Já viram essa merda? Joga no Google. Se você acha que o ser humano tem um pingo de senso para controlar álcool, cigarro e drogas, veja a que ponto a estupidez humana pode chegar. Hey, não que eu esteja julgando alguém. Cada um com seus vícios.
Mas voltando à violência para menores... Eu gostaria que as pessoas tivessem doses diarias de esfolamentos na tv. Pessoas arrastadas por carros sobre asfalto e pedras. Modelos de biquini terem suas tripas arrancadas com um facão ao meio dia. Queria ver um lutador profissional trancado em uma jaula com um urso pardo. Queria ver o efeito de um tiro 44 entre os olhos de um adulto crescido antes de dormir, 7 ângulos diferentes, câmera lenta e comentários esportivos sobre o ângulo dos miolos e olhos. Ver um pneu de trator ser catapultado contra uma velhinha nos seus 80 e poucos. Queria ver um universitário classe alta ser colocado em meio a uma roda de jovens neo nazistas do subúrbio e ser devidamente espancado até seu rosto inchar e substituir seus lábios por bolhas de sangue. Queria ver filhotes de panda e cachorrinhos colocados pra nadar em um tanque com tubarões e crocodilos. Queria ver crianças órfãs sendo entregues em lares de estupradores com cobertura 24 horas na tv, prova de resistência e tudo mais. Queria ver vários casais amarrados a botijões de gás aos milhares enquanto seus filhos são armados com lançadores de granada e forçados a atirar contra seus progenitores. Quero ver crianças de seis anos munidas de garfo e faca trancafiadas por meses com seus pais amarrados com cordas de aço, sem comida por todo esse tempo. Queria ver bebês devorando seus pais como aranhas recém-nascidas.
Queria ver pessoas sentadas ao sol enquanto explosões espalham pedaços de gente, tripas e merda por toda a praia. Eu quero verdade, impacto, miolos, sangue, decapitações, mas não como em filmes de terror adolescentes. Quero pessoas agonizando enquanto sua voz muda de tom conforme sua garganta ganha uma nova saída de ar. Eu quero o desespero de pessoas implorando por suas vidas ao vivo para todo o país, correndo sem um braço de uma matilha de hienas. Quero donzelas apaixonadas assistirem seus amados serem devorados por lobos separados apenas por uma parede de vidro transparente e anti-reflexo. Eu quero que transmitam quanto tempo uma pessoa demora para morrer. Não essa historinha de filme onde as pessoas simplesmente caem mortas. Não, eu quero o negócio todo. Pedacinho por pedacinho arrancado. Já imaginou quanto tempo levaria para uma pessoa falecer sendo devorada viva? Quanta dor uma pessoa não experimentaria com seus tendões sendo arrancados em meio à carne, mordida após mordida?
Melhor ainda. Pense no desespero dentro da cabeça dessa pessoa, ao ver seu corpo se desfazer, cercada pelos seus futuros assassinos? O medo da morte crescendo. A certeza. A escuridão opressora se formando enquanto você olha uma extremidade sua que nunca mais estará lá ser feita aos retalhos por uma força muito maior que você, seja uma besta selvagem ou um tiro bem dado. Já imaginou resistir à dor ardente de uma perna mutilada enquanto nada desesperadamente em um oceano de escuridão sem saber que monstros habitam o infinito que se estende sob seus pés enquanto seus amigos são despedaçados a sua frente? Eu quero ver uma modelo em lingerie morder firme o meio fio e ter sua cabeça pisoteada pelo coturno de um skinhead.

Eu quero ver o belo ser destruído, massacrado ao pôr do sol.
Quero ver o ser humano buscando ar segurando o sangue que jorra de sua garganta aberta.
Eu quero ver quanto tempo sua sanidade resistirá.
E mais, eu quero ver quanto tempo você olhará para o lado sem interesse, e em quanto tempo se juntará à orgia.
Eu quero as pessoas sob pressão.
Quero loucura nas ruas, fogo por toda parte, gritos, gemidos e gargalhadas.
Eu quero as pessoas contra o muro, quero seu eu verdadeiro vagando por aí em busca de um pouco de carne para o bife do almoço.
Eu quero ver a sua verdadeira face.

Eu não vi o suficiente para enlouquecer. Mas já vi o suficiente para sentir o peso nos olhos de uma pessoa prestes a morrer. E já puxei o gatilho vezes o bastante para sentir o fardo de uma execução nas noites em claro, e vezes o suficiente para apreciar o desespero da vítima e dormir feito um bebê depois de um dia animado. E vão me dizer que eu estou louco? Só eu que vi o que vi, vivi o que vivi e passei o que passei para saber se estou ou não louco. Eu, e não a porra de um psicólogo que nunca esteve em campo na vida. Ao menos não armado e vestido com um alvo na porra do peito.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Down with the sickness


"Você reclama da corrupção.
Do Governo, da Polícia, dos políticos.
Reclama da corrupção que cerca as escolas e hospitais.
De um sistema que falha todo dia e deixa milhões na necessidade.
Mas essas pessoas que detém o poder, elas não são de outro planeta.
Elas não vieram em naves para a Terra.
A corrupção começa pequena, na própria população.
Você se corrompe nas menores coisas. Mente para si mesmo,
esconde fatos que refutam seus argumentos,
financia crimes terríveis,
aponta erros que comete a todo instante,
usa qualquer mínimo poder para ganho pessoal e financeiro,
passa por cima de qualquer um em momentos desesperados,
e vai contra aquilo que acredita na primeira oportunidade.
Como acusar algo que nós fazemos todos os dias?
O jeitinho brasileiro.
Não culpe os corruptos.
A culpa também é nossa.
Você os inveja, lá dentro você os inveja.
Você só não teve poder suficiente.
Elas um dia foram como você.
Diziam que queria algo melhor para todos, que queriam fazer algo.
Que iriam ser melhor do que aquilo que estava no poder.
Mas eles não vieram de uma outra dimensão.
Eles vieram de lares brasileiros, de escolas brasileiras, famílias brasileiras.
Eles muito provavelmente vieram da mesma classe social que você ocupa.
Eles são o melhor que nós conseguimos produzir.
Isso é o máximo que somos capazes de fazer.
Simples reflexo do povo.

E você é quem vai nos salvar? Desculpa, mas eu já vi esse papo antes."


Eu sei que o texto está um lixo, ruim mesmo, sem drama, de verdade. Mas eu precisava falar, esse povo que reclama de algo que é me mata de raiva.
Atenciosamente, e com vontade de amarrar alguém em um poste e cutucar com uma lança para ver sangrar, Chakal.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Brave New World...

Uma terra de fortes.
O mundo exige isso.
Ou você é forte o suficiente para sobreviver, ou se esconde atrás das muralhas de tua cidade.
Em meio aos demais covardes que apenas aguardam enquanto os poucos valentes
derrotam os monstros e pesadelos que rodeiam, aguardando a chance de provar tua carne.

O mundo perece a cada dia, a cidade entremeia pessoas e excremento, e um se faz o outro. A corrupção se alastra por entre as pedras de um muro que deveria proteger, e não ceder vítima da fragilidade de poucos.

O mundo chora por uma flecha bem atirada...
por uma espada bem guiada...
pelas entranhas dos culpados a regar o chão para a grama que virá depois...
O mundo clama por justiça, seja divina ou não,
por um mal que limpe o mundo dos covardes.
Que expulse dele todos aqueles que não se dignificam a empunhar uma lança,
mas vibram a cada gota de sangue que cai.
Eu lhe darei escudo e espada, e lhe deixarei de frente o dragão.
Aí então você poderá provar o quanto é digno de cada vida tomada.
Será capaz de dizer se algo vale à pena ou não, e se conseguirá acordar noite após noite,
pesadelo após pesadelo...
Mate...
É bom que não se esqueça do rosto de sua vítima, pois é você que vai viver por ela daqui para frente...
Corra guerras com sua lança, morte após morte...
Brade sua vitória...

Guerras dão ótimas histórias não?
Não espere o mesmo das memórias...

O mundo clama por pessoas, e não por sombras sem alma e sem espírito, sem princípios e propósitos, apenas vagando de olhos fechados sem ver o precipício que se aproxima.
O mundo clama por bravos, e eu rezo toda noite para que ao nascer do sol todos os covardes não sejam mais do que comida para as raízes das grandes árvores que estão por vir...
Árvores que vão cair um dia. E quando caírem, esmagarão cada um de nós...e então vai haver paz.
O mundo precisa de bravos...eu imploro.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"Everytime I hear "I'm sorry" I pull out my pistol." ou, desculpa de cu é rola!



Eu estou cansado.
Pura e simplesmente.
E eu estou falando como eu mesmo.
Chakal, aqui.
Cansado, muito, mesmo.
Cansado de ver gente pedindo desculpas.
Dando desculpas.
Chorando pela vida que é tão cruel e impiedosa.
Da criação que não foi boa o suficiente.
Das pessoas que não te entendem.
Das coisas que não dão certo e da sociedade capitalista opressora e consumista que te faz ter 10 pares de sapato.
Da poluição e maltrato aos animais.
Da falta de conversa, e da falta que sua cara sente de umas boas porradas.

Eu estou de saco cheio, de tudo isso.
Eu já estava antes, eu fiquei eras sem escrever aqui por conta disso.
E agora mais ainda.
Eu odeio escrever experiências pessoais e o que eu estou sentindo tão subjetivamente.
Mas pra mim já deu.
A próxima vez que eu ver alguém reclamando como é ruim ser como é, cometer erros,
não ser compreendido ou pedindo desculpas enquanto tenta justificar sua imbecilidade
eu vou cometer o meu primeiro homicídio, e eu não vou parar.
É sério, eu estou cansado de argumentar coisa idiota com gente estúpida.
Eu vou espancar até a morte a próxima vez que eu ver um ciumento reclamar que perdeu a namorada,
um retardado reclamando dor de cabeça em rede social por conta da cachaçada da noite anterior,
uma imbecil traída pelo namorado traficante e babaca,
um ambientalista que tem 150 pares de sapatos e blusas de frio reclamando da usina na puta que o pariu,
ou uma pessoa crescida que reclama do erro que cometeu e do quanto é ruim não ter controle sobre a própria vida.
É sério, as pessoas precisam aprender a ter um pouco de maturidade.

SE VOCÊ COMETE UM ERRO, A CULPA É SUA FILHO DA PUTA! SE VOCÊ ESTÁ INSATISFEITO COM ALGO, MELHORA. SE ACHA RUIM SER INCOMPREENDIDO, EXPLICA MELHOR OU CALA A BOCA.
SE ACHA ALGO RUIM, FAZ ALGUMA COISA, MAS PELO AMOR DE DEUS, PARA DE SER IDIOTA E ARGUMENTAR COISA QUE JÁ SABE QUE ESTÁ ERRADA OU PEDIR MIL VEZES DESCULPA PELA MESMA COISA.
Eu estou cansado de marmanjo e mulher feita falando que é para dar um desconto porque está triste, deprimido, isolado, cansado ou o que quer que for. O PROBLEMA É SEU.

Para de ser um chorão desgraçado, ninguém liga pra isso.

A culpa e o problema são seus, de ninguém mais.
TE VIRA.

E se isso aqui bate com qualquer um de vocês, e quer achar ruim comigo, vai me xingar onde quiser, mas pensa que se achou ruim, provavelmente é porque a porra da carapuça serviu, e de novo, O PROBLEMA É SEU!
Se você é algo que não gosta, muda. É simples, se fez algo errado e não gosta de como é, seja diferente, é algo que só você pode fazer.
Você não pode colocar a culpa na circunstância. A oportunidade é que faz o pecador, e você é que tem que resistir a ela.

Seja um adulto, pelo amor de deus.
Para de chorar e age.
E calado, de preferência.



Atenciosamente, Chakal.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Remains dead

Primeiro de tudo, esse texto teve vários formatos e temas, até eu ter coragem de escrever desse jeito. Não tem nada de bom nele, e eu não sei escrever. Isso não é novidade.
Mas o blog é meu, então tem que ter coisas minhas...baseei ele nessa frase do Game of Thrones, o primeiro livro dAs Crônicas de Gelo e Fogo. Desculpem qualquer coisa, e principalmente, o tamanho do texto. Espero que valha à pena. Desde já obrigado aos que lerem.

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"My mother told me that dead men sing no song".

Recarreguei a pistola. Eu tinha permissão para isso.
Não que eu me importasse. Eu não sou do tipo herói. Não coloco minha cabeça na linha
para salvar e proteger pessoas que não merecem.
Eu não sou do tipo que vai salvar alguém.
Não é preciso muito mais do que acordar mal para que eu vire a cara para um assalto ou uma tentativa de assassinato. E não me venha com críticas.
Você faz o mesmo todos os dias.
Da próxima vez que levantar esse dedo para acusar alguém do que quer que seja,
sinta o cheiro de carne podre e pense antes de falar algo. Mesmo que a pessoa não saiba o que você fez, você deveria ter um pingo de consciência já que vai acusar alguém, e isso deveria impedir que acuse alguém de algo que você faz. Mas eu sei que isso não acontece e que você vai falar merda de qualquer jeito.
Mas uma pergunta coerente pode estar vagando nessa cabecinha inútil sua.
Se eu não vou defender ninguém, nem coibir o crime, porque sou um policial?
E a resposta é simples: eu gosto da violência.
Ela me atrai. Eu gosto de ver o sangue espirrando na parede atrás do alvo.
Gosto de ouvir o baque seco do corpo ao cair no chão, e o som esponjoso dos miolos e vísceras que se espalham pela sala.
Eu gosto de matar pessoas.
Outra pergunta boa que você provavelmente não está se fazendo é, se gosta da violência porque não vira bandido? Afinal, matar alguém como policial dá muita dor de cabeça. Os filmes não mostram isso, e de fato, dá muita.
Mas a minha resposta é bem simples, para alguém com cérebro ao menos. Ainda é melhor a dor de cabeça do que a cabeça a prêmio como bandido, não?
Prefiro a papelada e a psicóloga do que uma bala entre as minhas costelas dois e três.

Esclarecido isso, voltemos ao que importa. Eu disse que coloquei meu pente na arma, puxei o ferrolho. Ouvi o sino da vitória. Bala na agulha. Bingo.
O tambor atrás do qual me escondia treme com os dois últimos disparos. O infeliz quer mesmo me matar. Consigo sentir a parede de dentro quente com essa última bala. É bom eu sair daqui logo.

Tem uma coisa sobre tiroteios que os filmes não costumam mostrar. Não se mostra lá a sensação que se tem quando você olha na ponta de uma arma, sabendo que o dedo do cidadão em porte dela só precisa de um segundo, e que você nunca vai ver o que saiu de lá. Aliás, você nunca mais vai ver nada. Um pouco de pressão nesses poucos segundos, não? Pois bem, essa é a pressão que senti no momento em que dei a última respirada antes de sair de trás do barril. É difícil explicar.
Você torce para o cara não mirar tão rápido quanto você consegue correr e vai. Mais ou menos assim.

Me levantei andando de lado e pregando bala em cada pedaço do sujeito. Ou ao menos tentando.
Três tiros na parede atrás dele e ele se abaixou atrás do container. Filho da mãe.
O problema de um cara se esconder de você em meio a um tiroteio é que você não pode se dar ao luxo de ficar com a cabeça de fora esperando a noiva aparecer. E nesse tempo em que você não está olhando ele pode se esgueirar por outro lado e atravessar uma bala entre suas ideias quando você menos espera. Você precisa ser atencioso. Por isso é bom ouvir bem. Ao menos o suficiente para ouvir os passos atrás de você.
Mas o meu alvo não era assim tão esperto. Eu nem me escondi e ele já começou a correr, tentando fugir de mim. Mais duas balas na parede. Coitada...

Me levantei e segui no encalço. Qual foi a minha surpresa quando senti o ar se mover com a bala que passou por mim. Me agachei na lateral do mesmo container. O infeliz sabia que eu viria atrás, por isso correu. Não que ele tenha parado, mas foi uma boa ideia. Eu dei sorte.
A maioria das pessoas se desespera nesse tipo de situação. Se desespera quando tem alguém correndo com uma arma atrás dele. Nem precisa ser uma arma. Basta ameaçar alguém com uma discussão mais profunda, ou um conflito de interesses. As pessoas tendem a correr em desespero do confronto. Já viu o desespero de uma pessoa quando um problema acontece? Não precisa ser nada sério. Pode ser o término de um namoro. É tudo que basta para uma pessoa fraca se sentir no direito de cometer todas as besteiras possíveis pelo próximo mês. Ela vai encher a cara, quebrar todos os dentes, vomitar durante duas semanas, ter crises e mais crises e pedir para que ninguém a aborreça, porque ela está sensível, frágil, e passou por um momento difícil. Pois eu tenho uma novidade, NÃO INTERESSA O PROBLEMA, SE VOCÊ TOMA UMA ATITUDE ERRADA, VOCÊ MERECE SER PUNIDO! Eu costumo perder a amizade desse tipo de pessoa muito fácil. Costumo não deixar de aborrecer as pessoas porque elas quebraram a unha, ou porque perderam o 13º amor da vida delas. Por mim, eu descarregava minha arma nesse tipo, mas nós já falamos sobre a dor de cabeça de matar alguém quando se é policial.

Pois bem, voltando à Cinderela correndo à meia noite, antes que ele virasse a esquina desse beco maldito, consegui depositar gentilmente uma bala entre a panturrilha e a canela do infeliz. 6 tiros, 6 para ir ainda. É importante manter esses números na cabeça. A arma não tem um contador digital para quantas balas ainda tem. Corri até a esquina, e parei um pouco antes, só por precaução. Coloquei a cabeça para fora e vi o cretino correndo pelo beco para chegar à rua.
Um problema que eu tenho com ruas é a quantidade de tripas que eu posso colocar para fora antes de atingir meu alvo de fato. De novo, nós sabemos bem a dor de cabeça que isso é para o herói aqui. Tentei um disparo longo. Tinha uns 25 metros de distância entre eu e ele. Minha arma consegue ser letal até 50 metros. Se for pensar, é uma boa distância para estourar os miolos de alguém. Dá quase para ignorar o fato de que você quem matou e dormir sem culpa à noite. Quase...
Dei outros dois tiros enquanto ele mancava. Errei um, o outro levou embora um dos rins do cara. Enquanto ele caía corri para detrás de uma lixeira. Não se deixe levar pelo calor, é o que eu sempre digo. Não é porque seu inimigo vai ter que frequentar a hemodiálise frenquentemente que você deve achar que acabou.
O filho da mãe se virou deitado no chão e disparou mais duas vezes. Quantas balas esse cara tem? Ouvi o barulho de derrapadas e freadas... demorei um pouco para entender.
Sabe, todos os policiais andam em dupla. Agora que falei isso vocês devem estar se perguntando o que aconteceu com o meu parceiro, que é exatamente o que eu estou pensando...ele sempre foi um preguiçoso filho da puta, nunca arrastou o traseiro para nada, sempre dando desculpas para tudo e acusando os outros. Tudo que eu pedi foi que ele vigiasse a outra saída. No caso, essa de onde uma van acabou de sair com dois sujeitos fortemente armados. Tomara que aquele porra esteja morto.
Bem, tenho mais dois problemas para lidar.
Uma coisa que o gênio no banco do passageiro não percebeu é que a van derrapada atrás dele fechou a única saída que eles tinham, e deixou ele em aberto no meio do corredor.
O que era tudo que eu precisava. Ele mal puxou o cão do revólver que ele carregava.
Blam!
Cérebro no vidro lateral. A van preta ganhou uma cor rubro-negra agradável da distância em que eu olhava.
Uma coisa bem comum em guerras e que costuma funcionar ainda melhor quando se está em menor número é o fator moral.
O simples fato de gastar apenas uma bala para matar um cara que apareceu a menos de 2 segundos pode ser intimidador para algumas pessoas. Foi o que aconteceu com o motorista. Não precisou de muito tempo para que ele estivesse escondido atrás da van.
Ainda tinha 3 balas na pistola, e só mais um pente no cinto. A USP .45 ACP que eu carrego é uma boa arma, mas às vezes ela pode ser problemática. Tem sempre a chance da bala ficar agarrada na câmara e ferrar todo o processo. Não quis me focar nisso.
Me concentrei no fato de que ainda tinha um alvo e meio para finalizar.
Aparentemente meu amigo deitado estava sem balas, porque se arrastava desesperadamente para a van. O amigo dele, por sua vez, se preocupou em descarregar a 1911 dele contra a lixeira onde eu estava.
Me levantei calmamente e disparei contra o pneu esquerdo da van. A frente deu uma caída e o colega atrás já se prontificou a mudar de posição. Era a chance que eu queria. 20 metros, disparei minha penúltima bala e errei o infeliz. Espalhei cacos de vidro do para-brisa pela região, só para dar um toque de filme de ação. Me esquivei dos tiros frescos. Às vezes eu me pergunto se essa vida vale à pena...mas eu me lembro que não é só pelo dinheiro.
Apertei o retêm e deixei cair o último cartucho. A bala do anterior ainda na agulha. Disparei 5 direto contra a van, enquanto corria para um monte de lixo próximo. Aqueles sacos não segurariam um disparo sequer, mas eu torci para que eles não vissem para onde eu estava indo.
8 para finalizar...
Esperei as primeiras balas, o mais encostado na parede que pude. Por um momento, cheguei a murchar minha barriga, mas depois pensei o quão idiota aquilo era. Torci para que o alvo fosse a lixeira.
Dito e feito.
Me levantei e mirei bem no instante que tinha antes de ele perceber o quão fodido estava.
Blam!
Blam!
Blam!
Um no pescoço, outro no ombro e um home run que provavelmente acertou o gato da vizinha. Mais do que suficiente.
Logo abaixo o meio-vivo recarregou a arma surpreendentemente e voltou a disparar contra mim.
Saltei sobre o lixo disparando cegamente contra ele. Errei todos os tiros.
Preciso melhorar minha taxa de acerto.
Me joguei no chão esperando queimar.

Clic...

O som da vitória.
Me levantei e vi a expressão de desespero crescendo na cara do desgraçado. Não consegui segurar o sorriso. Ainda tinha duas balas na minha arma. Eu iria precisar das duas.
Me aproximei da minhoca desesperada por um buraco para se esconder.
Apoiei gentilmente o coturno no vão que dizia "vaga para um rim". Ouvi um grito. Sabe o que dizem, música para os ouvidos.
Disparei contra a perna intacta. Outro grito.
Levei um segundo olhando fundo nos olhos dele, suor pela cara toda. Coloquei ele de pé, empurrei-o contra a van. Não podia parecer uma execução. Ele se agarrou ao retrovisor e se virou para mim. Apontei meu brinquedo, inclinei-a lentamente e puxei o gatilho o mais devagar que consegui.

BLAM!

O pessoal da limpeza vai ter trabalho com esse.

Respirei fundo...a porta aberta atrás dos dois corpos revelou um grande presente.
Meu colega apareceu correndo da rua atrás da van, arma em punho, suando como um porco. Olhou para mim e soltou as piores palavras possíveis.

"Quando ouvi os tiros vim o mais rápido que pude".

O MAIS RÁPIDO QUE PÔDE?
Pode não parecer o maior tempo do mundo, mas eu consigo contar ao menos 3 vezes em que estive perto da morte, que poderiam ser evitadas se esse gordo maldito tivesse feito o que eu mandei. Me aproximei da porta aberta da van. Tirei minhas luvas detrás do cinto e vesti-as.
Consegui ver a cara dele confusa por um momento.
É sério. Eu odeio gente lenta.

Lenta.
Hipócrita.
Gorda.
Cínica.
Inútil.

Clac-clac.

BLAM!
Estilhaços de gordura, músculos e sangue por todo o lado. Consegui ver o rombo que esse presente era capaz de fazer. Calibre 12, a arma do século. Dava para estacionar um carro esportivo no lugar onde antes haviam costelas, um coração e dois pulmões. Joguei a arma no chão, próximo aos outros dois corpos. Guardei as luvas.
Meu parceiro caiu devagar, esparramando sangue pela boca com os reflexos musculares... devagar...
Ele vai estar melhor assim. Todo mundo conhece ao menos uma dúzia de idiotas que acham que uma pessoa morta é sempre respeitável e decente, e que morrer redime todos os pecados, erros e burradas que se pode cometer. Sempre que posso provo que elas estão erradas.

Foi um bom dia. Gosto de lidar com meus problemas um por vez...
Sou um homem de gostos simples, e vou atrás deles sempre que posso.
Quando uma oportunidade aparece, não dá para desperdiçar.
Cometi algumas coisas fora do padrão aqui, mas não tem ninguém para saber.

"My mother told me that dead men sing no song".

Atenciosamente, Chakal.